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Renan quer se abraçar com Lula


O senador Renan Calheiros (AL) entregou, ontem, a liderança do PMDB no Senado e saiu atirando no Governo Temer. Não se trata de um gesto pessoal, mas forçado pelas circunstâncias. Renan, na verdade, foi forçado a deixar a função porque não vinha tendo desempenho de aliado, mas de adversário de um partido que não está na aliança, mas no topo do poder. O presidente Temer é do PMDB e presidente licenciado da legenda.
O que se diz em Brasília é que o senador alagoano terá imensa dificuldade de se reeleger senador e está em busca de uma tábua de salvação. Não tem a opção, que será usada por muitos senadores encalacrados na Lava Jato, de se candidatar a deputado: como o filho é governador, ele fica impedido de disputar outro cargo que não seja a reeleição.
Assim, Renan selou uma aliança tácita com Lula e o PT: minar o governo de seu correligionário apostando na volta do petista em eleições diretas antecipadas, ou na chance de que ele seja um candidato forte em 2018. Ainda que enfrente enorme rejeição pelos processos a que responde na Lava Jato, Lula ainda é um cabo eleitoral forte no Nordeste, base eleitoral do clã Calheiros. A presença do ex-presidente no palanque de Renan pai e filho, já negociada nos bastidores e incluída no pacote de ataques a Temer, é vista como importante para assegurar a sobrevida da família no mando político do Estado, um dos mais pobres do país.
O Palácio do Planalto, de olho na aliança Renan-PT, resolveu sair da passividade diante dos ataques e autorizou o líder do governo, Romero Jucá, a coletar assinaturas para destituir o antigo aliado da liderança do PMDB, posição em que pode causar estragos a votações de interesse do Executivo, como as reformas. Para prosperar, a estratégia tem de obter aval da maioria da bancada do PMDB, a maior da Casa. O problema é que muitos senadores são ou comprometidos com Renan ou se opõem a Temer, caso, por exemplo, de Roberto Requião. A ofensiva de Temer e Jucá para apear Renan do comando deve passar pela concessão de mais espaço para a bancada do partido no Senado em postos importantes do governo.
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