Pular para o conteúdo principal

A ironia bumerangue de Gilmar sobre trabalho escravo

El País - Jornal do Brasil

A sociedade já estava indignada com anúncio do governo de Michel Temer em relação à fiscalização e combate ao trabalho escravo, e o ministro do STF e presidente do TSE, Gilmar Mendes, ainda teve a "ideia de tratar do assunto com uma ironia barata", frisa Juan Arias em sua coluna no jornal El País, publicada na noite desta segunda-feira (23).
"O que o juiz não entendeu é que a ironia e a sátira compõem um dos gêneros literários mais difíceis e perigosos de se usar. É preciso uma inteligência aguçada para adotá-lo. Caso contrário, ele se transforma, como neste caso, em um bumerangue", frisa o jornalista. 
A declaração de Gilmar Mendes sobre o assunto acabou gerando grandes críticas de todos os lados contra ele. "Eu me submeto a um trabalho exaustivo, mas com prazer, e não considero que isso seja trabalho escravo", disse o ministro, questionando se poderíamos considerar também como trabalho escravo as atividades "dos motoristas dos juízes do Supremo que ficam esperando no subsolo da garagem".
"Mendes não entendeu que o que ele fez foi ofender (...) também trabalhadores comuns, como são aqueles que não têm a sorte de trabalhar com algo que 'lhe dá prazer' e com remuneração elevada"
"Gilmar Mendes não entendeu que, desde os gregos até os nossos dias, passando pelos romanos, a sátira deve ser dirigida contra os carrascos e não contra as vítimas. Por isso ela é libertadora", reforça Juan Arias.

 "Com sua ironia, o magistrado mostrou não entender — ou será que entendeu, sim? — que o que ele estava fazendo era apoiar a flexibilização da legislação contra o trabalho escravo."
http://www.blogdomagno.com.br/?pagina=1

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Mapa das facções em presídios brasileiros

Sem dinheiro, Exército deixa Força no Haiti

Leandro Mazzini - Coluna Alvorada Sucumbiu no cofre da União a ideia política de fazer bonito perante a Organização das Nações Unidas (ONU), na tentativa de ganhar respeito no Conselho de Segurança e conseguir um assento na patota nuclear. Com os cortes no Orçamento deste ano e as verbas minguadas a cada dia, o Exército do Brasil vai deixar a Minustah no Haiti. Para não fazer feio, ainda envia o último contingente esta semana, para os últimos seis meses de vigilância. A Missão das Nações Unidas para a Estabilização no Haiti (Minustah) foi criada e organizada pelo Conselho de Segurança da ONU para manter a ordem e evitar a tomada do poder por guerrilhas no país caribenho, após a deposição do presidente Jean-Bertrand Aristide. A presença por força política tornou-se essencialmente social após o terremoto de 2010, quando mais de 200 mil pessoas foram vitimadas. A tropa que parte para a capital Porto Príncipe foi apresentada neste domingo, na Praça dos Três Poderes em Brasíli...

'Fi-lo porque qui-lo': aprenda gramática com frase histórica de Jânio Quadros

FI-LO PORQUE QUI-LO                       Vamos lembrar um pouco de história, política e gramática?                     O ex-presidente Jânio Quadros gostava de usar palavras difíceis, construções eruditas, para manter sua imagem de pessoa culta. Diz o folclore político que, ao ser indagado sobre os motivos de sua renúncia, em 1961, teria dito: "Fi-lo porque qui-lo".                     Traduzindo para uma linguagem mais acessível, mais moderna, ele quis dizer "fiz isso porque quis isso", ou, simplificando, "fiz porque quis".                     Esse "LO" nada mais é que o pronome oblíquo "O", que ga...