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"Barrar denúncia não altera quadro para 2018"

Folha de .Paulo – Luiza Franco

A expectativa dos eleitores em relação à classe política é tão baixa que o fato de a Câmara dos Deputados ter barrado o prosseguimento da denúncia contra o presidente Michel Temer não deve ter impacto eleitoral significativo. É a opinião do cientista político Claudio Gonçalves Couto, da Fundação Getúlio Vargas de São Paulo.
Professora da UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul), Silvana Krause também não acha que essa votação deve mudar o quadro para 2018, e vê razões anteriores a este governo para isso. "O descolamento da população brasileira da representação política não é novidade. A grande maioria do eleitor brasileiro esquece em quem votou", diz ela.
Ambos falaram brevemente com a Folha —o primeiro, enquanto a votação ainda acontecia, e a segunda, logo após o resultado. Eles participam de congresso da Anpocs (Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Ciências Sociais), em Caxambu (MG).
"É mais um episódio que as pessoas vão repudiar, num governo que não tem mais para onde cair. [Os deputados] não estão tomando uma decisão inesperada. Ela é ultrajante, mas a gente já está acostumado ao ultraje", diz Gonçalves Couto.
Ambos acham que a vitória de Temer reflete o espírito corporativo do Congresso. "Essa votação teve mais a ver com um pacto de autoproteção da classe", diz Krause.

"Temer é uma criação orgânica da classe política. Ele expressa essa classe como ninguém, o que gera solidariedade. 'Ele é um dos nossos', dizem. Sendo assim, faz sentido que tenha proteção", opina Gonçalves Couto.nOs dois também concordam que o fato de Temer ter conseguido barrar a denúncia contra si não significa que seu governo conseguirá passar as reformas que prometeu.
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