Pular para o conteúdo principal

Bonifácio e a defesa aberta e desabrida dos políticos

Helena Chagas – Blog Os Divergentes

Pode-se dizer qualquer coisa do deputado Bonifácio de Andrada, menos a de que não é um sujeito corajoso. Aos 87 anos, mostrando ainda estar vivíssimo, sentou-se agora à tarde na CCJ da Câmara para proferir um voto absolutamente político, um verdadeiro libelo de defesa não apenas do presidente Michel Temer, mas de todos os políticos acusados de corrupção.
Bonifácio foi na contramão da mídia, da opinião pública e, segundo as pesquisas, da manifestação majoritária da população. Lavou a alma de todos os acusados da Lava Jato ao denunciar o que chamou de “ataque generalizado aos homens públicos do país”. Bateu duramente no Ministério Público, na Polícia Federal e no Judiciário, criticando a espetacularização de suas ações.
O deputado disse, em seu voto, que o Ministério Público está criminalizando a atuação política e partidária, “numa ampla acusação à vida pública brasileira”, considerando que Temer e seus ministros, acusados de organização criminosa, estavam apenas fazendo política. O fato de ser pai de um procurador que ocupava um dos mais altos cargos da hirarqquia da PGR na gestão Janot, o Sub-procurador da República Bonifácio de Andrada, não parece tê-lo inibido.
O relatório Bonifácio de Andrada pelo arquivamento da segunda denúncia já era esperado e faz parte do script que levará Temer a se safar de mais essa e governar até 1 de janeiro de 2019. A surpresa, boa para o Planalto e para todos os que têm contas a acertar com a Lava Jato, veio no tom.

No Congresso, há expectativa de que esse discurso desabrido em favor  dos políticos acusados de corrupção vá encorajar outras reações ostensivas no establishment político. Muita gente que andava envergonhada vai desencantar nos próximos dias e abrir guerra.
http://www.blogdomagno.com.br/?pagina=2

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Mapa das facções em presídios brasileiros

'Fi-lo porque qui-lo': aprenda gramática com frase histórica de Jânio Quadros

FI-LO PORQUE QUI-LO                       Vamos lembrar um pouco de história, política e gramática?                     O ex-presidente Jânio Quadros gostava de usar palavras difíceis, construções eruditas, para manter sua imagem de pessoa culta. Diz o folclore político que, ao ser indagado sobre os motivos de sua renúncia, em 1961, teria dito: "Fi-lo porque qui-lo".                     Traduzindo para uma linguagem mais acessível, mais moderna, ele quis dizer "fiz isso porque quis isso", ou, simplificando, "fiz porque quis".                     Esse "LO" nada mais é que o pronome oblíquo "O", que ga...

O milagre do Natal de 2017

Vinicius Torres Freire – Folha de S.Paulo "84 SERÁ igual ou pior que 83", dizia a manchete desta  Folha  no Natal de 1983, baseada em pesquisa com empresários. O Brasil vivia o pior triênio de recessão do século. Em 1983, a economia encolheu 2,9%. No entanto, em 1984, cresceria 5,4%. Um grande erro feliz de previsão. Pode acontecer em 2017? Hoje, dia de festa, vamos mudar um pouco de assunto. Vamos falar mais do espírito dos Natais de crises passadas. "Henry Ford confia num próximo melhoramento da situação econômica" era a primeira notícia da "Folha da Manhã" do Natal de 1931, outro fim de triênio triste da economia. Ford errou. A economia americana melhoraria apenas uma década depois, na Segunda Guerra. "Várias opiniões favoráveis à Constituinte" era a manchete política. O Brasil vivia sob o governo provisório da Revolução de 30. Golpe? Divertida mesmo era a publicação de mais um capítulo inédito de "Viagem ao Céu", de Mo...