Pular para o conteúdo principal

Com escândalos ou sem, governo aumentará impostos

Integrado e apoiado por enrolados em escândalos, governo elevará impostos
Josias de Souza
Os economistas do governo são como ficcionitas que se deram bem na vida. A gestão de Michel Temer, que prometia adotar o realismo fiscal, tomou gosto pela ficção. A equipe de Henrique Meirelles dizia no ano passado que o buraco nas contas públicas de 2017 seria de inacreditáveis R$ 139 bilhões de reais. O ministro da Fazenda informa que o rombo cresceu em R$ 58 bilhões. Estamos falando agora de uma cratera de inaceitáveis R$ 197 bilhões. Para retornar da cratera inaceitável para o rombo inacreditável, o governo flerta com o aumento de impostos. Como se hábito, vão meter a mão no seu bolso.
Sempre que precisam dar lições à plateia ignorante, os economistas de Brasília recorrem à analogia doméstica. Dizem que o Orçamento da União é como o orçamento da sua casa, onde ninguém está autorizado a gastar mais do que ganha. O problema é que os ficcionistas do governo não seguem os próprios ensinamentos. No final do ano passado, por exemplo, aprovaram-se no Congresso pacotes milionários de reajustes salariais para servidores. Dizia-se que estava tudo na conta do déficit de R$ 139 bilhões. Era lorota. Para ficar na metáfora doméstica, é como se o governo guardasse café no pote de açúcar, sem se dar conta de que na frente está escrito sal.
Em troca do aumento de impostos, o brasileiro continuará recebendo do Estado uma segurança pública inexistente, um serviço de saúde fictício e uma educação ilusória. Bem ao gosto dos ficcionistas responsáveis pelo enredo. Tudo isso num momento em que a Lava Jato despeja diariamente no noticiário evidências de que o assalto aos cofres públicos tem dimensões amazônicas. Mas o pior de tudo é essa incômoda sensação de que o mesmo governo que prepara a mordida é integrado e apoiado por suspeitos de participação no assalto.
http://www.blogdomagno.com.br/?pagina=2

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Mapa das facções em presídios brasileiros

'Fi-lo porque qui-lo': aprenda gramática com frase histórica de Jânio Quadros

FI-LO PORQUE QUI-LO                       Vamos lembrar um pouco de história, política e gramática?                     O ex-presidente Jânio Quadros gostava de usar palavras difíceis, construções eruditas, para manter sua imagem de pessoa culta. Diz o folclore político que, ao ser indagado sobre os motivos de sua renúncia, em 1961, teria dito: "Fi-lo porque qui-lo".                     Traduzindo para uma linguagem mais acessível, mais moderna, ele quis dizer "fiz isso porque quis isso", ou, simplificando, "fiz porque quis".                     Esse "LO" nada mais é que o pronome oblíquo "O", que ga...

O milagre do Natal de 2017

Vinicius Torres Freire – Folha de S.Paulo "84 SERÁ igual ou pior que 83", dizia a manchete desta  Folha  no Natal de 1983, baseada em pesquisa com empresários. O Brasil vivia o pior triênio de recessão do século. Em 1983, a economia encolheu 2,9%. No entanto, em 1984, cresceria 5,4%. Um grande erro feliz de previsão. Pode acontecer em 2017? Hoje, dia de festa, vamos mudar um pouco de assunto. Vamos falar mais do espírito dos Natais de crises passadas. "Henry Ford confia num próximo melhoramento da situação econômica" era a primeira notícia da "Folha da Manhã" do Natal de 1931, outro fim de triênio triste da economia. Ford errou. A economia americana melhoraria apenas uma década depois, na Segunda Guerra. "Várias opiniões favoráveis à Constituinte" era a manchete política. O Brasil vivia sob o governo provisório da Revolução de 30. Golpe? Divertida mesmo era a publicação de mais um capítulo inédito de "Viagem ao Céu", de Mo...