Pular para o conteúdo principal

Suspeitos abusam de autoridade que não têm


Josias de Souza
Acomodados pela Lava Jato no fundo do poço, os congressistas decidiram cavar um pouco mais o buraco em que se encontram. Pela segunda vez, o Congresso atribuiu prioridade máxima à aprovação de um projeto sobre abuso de autoridades. A proposta visa imprensar juízes e procuradores e delegados.
O projeto é de autoria de Renan Calheiros, investigado em nove inquéritos da Lava Jato. No momento, tramita numa comissão presidida por Edison Lobão, freguês da Lava Jato. Integram essa comissão dez senadores encrencados na Lava Jato. O Brasil já dispõe de uma lei para coibir abusos de autoridades. Essa lei talvez precise ser reformada. Mas os reformadores atuais são inconfiáveis.
Produziram-se em Brasília, nesta terça-feira, cenas inusitadas. O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, foi ao Congresso para negociar melhorias na redação do projeto apresentado pelo réu Renan Calheiros. Janot reuniu-se com o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, o ‘Botafogo’ das planilhas da Odebrechet. Esteve também com o presidente do Senado, Eunício Oliveira, chamado de ‘Índio’ nas planilhas do departamento de propinas da Odebrecht.


A presença de Rodrigo Janot, chefe do Minsitério Público, em reuniões desse tipo mostra que os congressistas delatados, investigados, denunciados e réus atingiram o ponto máximo da eficiência: eles mesmos aprovam as leis, eles mesmos violam as leis e eles mesmos criam novas leis para inibir a ação daqueles que tentam fazer valer a máxima segundo a qual as leis valem para todos, sobretudo para aqueles que não têm a menor autoridade para reclamar de abuso de autoridade.
http://www.blogdomagno.com.br/?pagina=2

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Mapa das facções em presídios brasileiros

'Fi-lo porque qui-lo': aprenda gramática com frase histórica de Jânio Quadros

FI-LO PORQUE QUI-LO                       Vamos lembrar um pouco de história, política e gramática?                     O ex-presidente Jânio Quadros gostava de usar palavras difíceis, construções eruditas, para manter sua imagem de pessoa culta. Diz o folclore político que, ao ser indagado sobre os motivos de sua renúncia, em 1961, teria dito: "Fi-lo porque qui-lo".                     Traduzindo para uma linguagem mais acessível, mais moderna, ele quis dizer "fiz isso porque quis isso", ou, simplificando, "fiz porque quis".                     Esse "LO" nada mais é que o pronome oblíquo "O", que ga...

O milagre do Natal de 2017

Vinicius Torres Freire – Folha de S.Paulo "84 SERÁ igual ou pior que 83", dizia a manchete desta  Folha  no Natal de 1983, baseada em pesquisa com empresários. O Brasil vivia o pior triênio de recessão do século. Em 1983, a economia encolheu 2,9%. No entanto, em 1984, cresceria 5,4%. Um grande erro feliz de previsão. Pode acontecer em 2017? Hoje, dia de festa, vamos mudar um pouco de assunto. Vamos falar mais do espírito dos Natais de crises passadas. "Henry Ford confia num próximo melhoramento da situação econômica" era a primeira notícia da "Folha da Manhã" do Natal de 1931, outro fim de triênio triste da economia. Ford errou. A economia americana melhoraria apenas uma década depois, na Segunda Guerra. "Várias opiniões favoráveis à Constituinte" era a manchete política. O Brasil vivia sob o governo provisório da Revolução de 30. Golpe? Divertida mesmo era a publicação de mais um capítulo inédito de "Viagem ao Céu", de Mo...