Pular para o conteúdo principal

Ruas enxotam políticos oportunistas e candidatos a políticos

Andrei Meireles – Blog Os Divergentes

O barato da democracia é a própria democracia. Nasceu nas ruas e é ali que, em todos os quadrantes, sobrevive até hoje. Ouvi-las é sempre bom. Ruim é quando são silenciadas.
A política é a arte de seduzi-las.
Quem as encanta devia respeitá-las.
Na vida real, não é bem assim.
Nunca foi na história da humanidade.
Mas quem surfa nelas costuma esquecer da lição que os levou ao topo da onda.
Ninguém é dono das ruas.
Na nossa praia, em que cada um aposta na marolinha ou na ressaca alheias, por mais previsível que seja, o tombo no mar sempre surpreende quem cai.
Foi assim com Lula, PT e aliados que, por se julgarem donos das ruas, se sentiram à vontade para meterem os pés pelas mãos. Quebraram a cara.
Pelo estrago que causaram, abriram caminho para as mais variadas reações. Perderam a sintonia com as ruas.
Como seus tradicionais adversários tinham medo de enfrenta-los, quem acabou pondo a cara foram os grupos de direita que captaram a sensação de insatisfação generalizada.
Saíram do armário, levantaram bandeiras antenadas com a opinião pública, e viveram o apogeu com o impeachment de Dilma Rousseff.
Olharam torto para o espelho.
A exemplo dos petistas, não souberam se enxergar.
Avaliaram que suas causas específicas eram as causas de todos. Misturaram o apoio da população à Lava Jato a bandeiras tão difusas como uma tentativa de ressurreição da ditadura militar e a revisão do Estatuto do Desarmamento.
Assim como a turma que, em nome da esquerda, se arvorou a ser a voz das ruas, essa assanhada direita pisa na bola ao se apresentar como a nova voz que fala pelas ruas.
Como anteciparam as redes sociais, essa arrogância pagou seu preço nas ruas nesse domingo (26). Está todo mundo cansado de ser massa de manobra de quem quer que seja.

Esse é o verdadeiro barato da democracia. Que bom.
http://www.blogdomagno.com.br/?pagina=2

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Mapa das facções em presídios brasileiros

Sem dinheiro, Exército deixa Força no Haiti

Leandro Mazzini - Coluna Alvorada Sucumbiu no cofre da União a ideia política de fazer bonito perante a Organização das Nações Unidas (ONU), na tentativa de ganhar respeito no Conselho de Segurança e conseguir um assento na patota nuclear. Com os cortes no Orçamento deste ano e as verbas minguadas a cada dia, o Exército do Brasil vai deixar a Minustah no Haiti. Para não fazer feio, ainda envia o último contingente esta semana, para os últimos seis meses de vigilância. A Missão das Nações Unidas para a Estabilização no Haiti (Minustah) foi criada e organizada pelo Conselho de Segurança da ONU para manter a ordem e evitar a tomada do poder por guerrilhas no país caribenho, após a deposição do presidente Jean-Bertrand Aristide. A presença por força política tornou-se essencialmente social após o terremoto de 2010, quando mais de 200 mil pessoas foram vitimadas. A tropa que parte para a capital Porto Príncipe foi apresentada neste domingo, na Praça dos Três Poderes em Brasíli...

'Fi-lo porque qui-lo': aprenda gramática com frase histórica de Jânio Quadros

FI-LO PORQUE QUI-LO                       Vamos lembrar um pouco de história, política e gramática?                     O ex-presidente Jânio Quadros gostava de usar palavras difíceis, construções eruditas, para manter sua imagem de pessoa culta. Diz o folclore político que, ao ser indagado sobre os motivos de sua renúncia, em 1961, teria dito: "Fi-lo porque qui-lo".                     Traduzindo para uma linguagem mais acessível, mais moderna, ele quis dizer "fiz isso porque quis isso", ou, simplificando, "fiz porque quis".                     Esse "LO" nada mais é que o pronome oblíquo "O", que ga...