Pular para o conteúdo principal

Lava Jato: ou o Brasil avança ou vira ratocracia


Em três anos de Lava Jato o Brasil experimentou sensações antagônicas. Depois de assistir a coisas inéditas, o país presencia um surto de mesmice. O que há de inédito no escândalo é que, pela primeira vez desde a chegada das Caravelas, o braço punitivo do Estado investigou e prendeu pessoas que, historicamente, se comportavam como se estivessem acima das leis. Esse ineditismo é agora ameaçado pelo que há de mais tradicional na política brasileira: o patrimonialismo se uniu ao oportunismo para restaurar a “normalidade”.
No Brasil, o combate à corrupção convive com uma ‘síndrome do quase’. O país quase conseguiu restaurar a moralidade quando escorraçou Fernando Collor do Planalto. Mas faltou punir as empreiteiras que engordaram o caixa do tesoureiro PC Farias. Os anões quase foram banidos do Orçamento da União. Mas as empreiteiras que compravam emendas orcamentárias foram novamente poupadas. A nação quase virou outra quando o Supremo Tribunal Federal condenou a turma do mensalão. Mas cuidou-se da máfia sem atentar para o capo.
Há uma forme de limpeza no ar. Mas a elite política, nivelada em perversão pela Odebrecht, providencia um dique de contenção. Os procuradores da força-tarefa de Curitiba tremem. Basta uma noite no Congresso e toda uma investigação pode cair por terra, disse um deles. De fato, quem olha para o Congresso põe em dúvida a Teoria da Evolução. A política brasileira parou de evoluir. E considera a hipótese de involuir. No futuro, quando os historiadores puderam falar sobre a Lava Jato sem precisar assistir a TV Câmara de madrugada, a mair operação anticorrupção da história será apresentada como um marco civilizatório ou como um fenômeno que consolidou o Brasil como uma ratocracia.
http://www.blogdomagno.com.br/?pagina=5

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Mapa das facções em presídios brasileiros

Sem dinheiro, Exército deixa Força no Haiti

Leandro Mazzini - Coluna Alvorada Sucumbiu no cofre da União a ideia política de fazer bonito perante a Organização das Nações Unidas (ONU), na tentativa de ganhar respeito no Conselho de Segurança e conseguir um assento na patota nuclear. Com os cortes no Orçamento deste ano e as verbas minguadas a cada dia, o Exército do Brasil vai deixar a Minustah no Haiti. Para não fazer feio, ainda envia o último contingente esta semana, para os últimos seis meses de vigilância. A Missão das Nações Unidas para a Estabilização no Haiti (Minustah) foi criada e organizada pelo Conselho de Segurança da ONU para manter a ordem e evitar a tomada do poder por guerrilhas no país caribenho, após a deposição do presidente Jean-Bertrand Aristide. A presença por força política tornou-se essencialmente social após o terremoto de 2010, quando mais de 200 mil pessoas foram vitimadas. A tropa que parte para a capital Porto Príncipe foi apresentada neste domingo, na Praça dos Três Poderes em Brasíli...

'Fi-lo porque qui-lo': aprenda gramática com frase histórica de Jânio Quadros

FI-LO PORQUE QUI-LO                       Vamos lembrar um pouco de história, política e gramática?                     O ex-presidente Jânio Quadros gostava de usar palavras difíceis, construções eruditas, para manter sua imagem de pessoa culta. Diz o folclore político que, ao ser indagado sobre os motivos de sua renúncia, em 1961, teria dito: "Fi-lo porque qui-lo".                     Traduzindo para uma linguagem mais acessível, mais moderna, ele quis dizer "fiz isso porque quis isso", ou, simplificando, "fiz porque quis".                     Esse "LO" nada mais é que o pronome oblíquo "O", que ga...