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Palocci deixa claro que sabe mais e quer falar


G1
Ex-ministro contatou advogados especialistas em delação premiada.
Ele poderia revelar esquemas de corrupção fora da área das empreiteiras.
Um dia depois do depoimento do ex-ministro Antonio Palocci à Justiça Federal em Curitiba, a defesa dele disse que o cliente tem vontade própria, ao comentar sobre um possível acordo de delação premiada. No depoimento ao juiz Sergio Moro, Palocci afirmou que teria muito a contar. Foi uma declaração que movimentou os bastidores da Lava Jato:
“Eu encerro aqui e fico à sua disposição hoje e em outros momentos, porque todos os nomes e situações que eu optei por não falar aqui por sensibilidade da informação estão à sua disposição no dia que o senhor quiser. Se o senhor estiver com a agenda muito ocupada, a pessoa que o senhor determinar eu imediatamente apresento todos esses fatos, com nomes, endereços, operações realizadas, coisas que vão ser certamente do interesse da Lava Jato, que realiza uma investigação de importância e acredito que posso dar um caminho talvez que vá lhe dar mais um ano de trabalho, mas é um trabalho que faz bem ao Brasil”.
A declaração do ex-ministro Antonio Palocci está sendo interpretada por quem segue a Lava Jato de perto como um aceno para conseguir um acordo de delação premiada.
O Jornal Nacional apurou que o ex-ministro manteve contatos com advogados especialistas em delação premiada, que já fecharam acordos com outros réus da Lava Jato. Uma possibilidade que pode complicar a vida de suspeitos de envolvimento no maior escândalo de corrupção do país.
Para ser um delator, o primeiro passo é manifestar oficialmente o interesse em fazer o acordo. Depois, na presença de advogados e procuradores, o réu revela o que tem para delatar. Se avançar, as partes assinam um termo de confidencialidade para evitar vazamentos.
Só depois que a delação for homologada pela Justiça é que as informações poderão ser usadas nas investigações. Junto com os depoimentos, o delator tem que apresentar provas e documentos. Em troca, recebe uma pena mais leve.
A força-tarefa diz que não comenta supostas negociações. A defesa de Antonio Palocci afirma que não tem conhecimento sobre um possível acordo, mas que o cliente é lúcido e tem opinião e vontade próprias sobre todas as coisas.
O que se comenta nos bastidores é que o ex-ministro pode revelar esquemas de corrupção fora do mundo das empreiteiras.
Ex-ministro nos governos Lula e Dilma, Palocci conhece a fundo as engrenagens do partido e os corredores do poder em Brasília. Sem cargo nem mandato, virou alvo da Lava Jato na Justiça Federal do Paraná.
De acordo com as investigações, Palocci gerenciou uma conta corrente de propina da Odebrecht com o Partido dos Trabalhadores. Em troca, atuou para beneficiar o grupo junto ao governo sendo conhecido no departamento de propina como “Italiano”.
Palocci nega as acusações. O Partido dos Trabalhadores não quis se manifestar.
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