Pular para o conteúdo principal

Todas as campanhas tiveram caixa 2, diz Palocci a Moro

Ex-ministro depôs em ação sobre suspeita de favorecimento à Odebrecht.
Ele se disse disposto a fazer revelações que prolongariam a Lava Jato.
O ex-ministro Antonio Palocci prestou depoimento ao juiz Sérgio Moro na ação que apura se ele favoreceu a Odebrecht. Palocci disse que houve caixa dois em todas as campanhas eleitorais; que está disposto a revelar nomes e operações de interesse da Lava Jato; e que isso faria com que a operação levasse mais um ano.
No depoimento Antonio Palocci admitiu o uso de caixa dois em campanhas eleitorais, inclusive pelo Partido dos Trabalhadores.
Palocci: Não vou ser hipócrita de dizer que nunca vi, não sabia, soube de algumas ocasiões de pagamento não contabilizado.
Pergunta: Inclusive do Partido dos Trabalhadores?
Palocci: De todos os partidos, pelo menos dos grandes partidos, é uma situação mais que óbvia e conhecida por todos.
Palocci negou ser o “Italiano” da planilha do departamento de propina da Odebrecht.
Palocci: “Italiano” pode ser eu como 40 milhões de brasileiros. Ninguém na Odebrecht nunca me chamou de “Italiano”.
Antonio Palocci também negou recebimento de propina em troca de favorecimento da Odebrecht junto aos governos Lula e Dilma, de quem foi ministro; ou que tenha autorizado pagamentos na campanha de Dilma Rousseff, em 2010.
Pergunta: O senhor interferiu, administrou, gerenciou, autorizou qualquer pagamento a fornecedores de campanha da campanha presidencial de 2010 no exterior?
Palocci: Jamais faria isso, eu fui ministro da Fazenda.
No fim, disse ao juiz Sérgio Moro que queria fazer mais esclarecimentos.
Palocci: Encerro aqui e fico à disposição, hoje e em outros momentos, que todos os nomes e situações que eu não optei por não falar aqui por sensibilidade da informação estão à sua disposição o dia que o senhor quiser, e se estiver com a agenda muito ocupada a pessoa que o senhor determinar eu imediatamente apresento todos esses fatos com nomes, endereços, operações realizadas e coisas que vão ser certamente do interesse da Lava Jato, que realiza uma investigação de importância. Acredito que posso dar um caminho talvez que vá lhe dar mais um ano de trabalho, mas é um trabalho que faz bem ao Brasil.             
 
Apesar do aceno, o juiz Sérgio Moro não tem o poder fechar um acordo de delação premiada. Qualquer acordo precisa ser, primeiro, negociado com o Ministério Público ou Polícia Federal. Só depois é que a delação é homologada pela Justiça.
Mesmo negando qualquer participação em favorecimento ilícito ou benefícios à Odebrecht, vários delatores afirmam  que Antonio Palocci era o “Italiano”, responsável por gerenciar uma conta corrente do PT com dinheiro de caixa dois.
Entre eles estão o próprio Marcelo Odebrecht e Alexandrino Alencar, além dos marqueteiros João Santana e Mônica Moura, que fizeram as últimas três campanhas do PT à Presidência.
http://www.blogdomagno.com.br/?pagina=1

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Mapa das facções em presídios brasileiros

Sem dinheiro, Exército deixa Força no Haiti

Leandro Mazzini - Coluna Alvorada Sucumbiu no cofre da União a ideia política de fazer bonito perante a Organização das Nações Unidas (ONU), na tentativa de ganhar respeito no Conselho de Segurança e conseguir um assento na patota nuclear. Com os cortes no Orçamento deste ano e as verbas minguadas a cada dia, o Exército do Brasil vai deixar a Minustah no Haiti. Para não fazer feio, ainda envia o último contingente esta semana, para os últimos seis meses de vigilância. A Missão das Nações Unidas para a Estabilização no Haiti (Minustah) foi criada e organizada pelo Conselho de Segurança da ONU para manter a ordem e evitar a tomada do poder por guerrilhas no país caribenho, após a deposição do presidente Jean-Bertrand Aristide. A presença por força política tornou-se essencialmente social após o terremoto de 2010, quando mais de 200 mil pessoas foram vitimadas. A tropa que parte para a capital Porto Príncipe foi apresentada neste domingo, na Praça dos Três Poderes em Brasíli...

'Fi-lo porque qui-lo': aprenda gramática com frase histórica de Jânio Quadros

FI-LO PORQUE QUI-LO                       Vamos lembrar um pouco de história, política e gramática?                     O ex-presidente Jânio Quadros gostava de usar palavras difíceis, construções eruditas, para manter sua imagem de pessoa culta. Diz o folclore político que, ao ser indagado sobre os motivos de sua renúncia, em 1961, teria dito: "Fi-lo porque qui-lo".                     Traduzindo para uma linguagem mais acessível, mais moderna, ele quis dizer "fiz isso porque quis isso", ou, simplificando, "fiz porque quis".                     Esse "LO" nada mais é que o pronome oblíquo "O", que ga...