Pular para o conteúdo principal

Corrupção vira atração turística em Brasília


Josias de Souza
O placar foi esmagador. Por 10 votos a 1, o Supremo Tribunal Federal enviou à Câmara a segunda denúncia da Procuradoria contra Temer. O presidente é acusado agora de compor uma organização criminosa e de obstruir a tentativa da Justiça de desbaratar essa quadrilha. Em qualquer outro pedaço do planeta, um caso assim paralisaria um país. No Brasil, isso não significa nada. Todos sabem que esse processo, natimorto, será abortado na Câmara.
A Constituição foi sábia ao condicionar um processo penal contra o presidente da República ao aval da Câmara. A ideia básica é injetar povo no processo. E quem representa o povo no Congresso, em tese, é a Câmara. No nosso sistema legislativo bicameral, o Senado representa os Estados da federação. O diabo é que o sistema faliu. A maioria dos deputados, com códigos de barras na lapela, representam o próprio bolso, não os eleitores.
A corrupção pode ganhar um novo proveito em Brasília: virou atração turística, como os monumentos de Niemeyer. Temer falou em Nova York que é culpado por associação. Disse o presidente: “Você encontra pessoas que tiram fotos com você, convivem com você, e aí praticam um ilícito qualquer. E você também vira delituoso.” Faz sentido.
Temer faz pose na companhia de ministros denunciados junto com ele como se posasse ao lado da cratera do Vesúvio, onde o perigo é apenas presumido. O problema é se os amigos presos do presidente, como Geddel Vieira Lima, resolverem entrar em erupção.
http://www.blogdomagno.com.br/?pagina=2

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Mapa das facções em presídios brasileiros

'Fi-lo porque qui-lo': aprenda gramática com frase histórica de Jânio Quadros

FI-LO PORQUE QUI-LO                       Vamos lembrar um pouco de história, política e gramática?                     O ex-presidente Jânio Quadros gostava de usar palavras difíceis, construções eruditas, para manter sua imagem de pessoa culta. Diz o folclore político que, ao ser indagado sobre os motivos de sua renúncia, em 1961, teria dito: "Fi-lo porque qui-lo".                     Traduzindo para uma linguagem mais acessível, mais moderna, ele quis dizer "fiz isso porque quis isso", ou, simplificando, "fiz porque quis".                     Esse "LO" nada mais é que o pronome oblíquo "O", que ga...

O milagre do Natal de 2017

Vinicius Torres Freire – Folha de S.Paulo "84 SERÁ igual ou pior que 83", dizia a manchete desta  Folha  no Natal de 1983, baseada em pesquisa com empresários. O Brasil vivia o pior triênio de recessão do século. Em 1983, a economia encolheu 2,9%. No entanto, em 1984, cresceria 5,4%. Um grande erro feliz de previsão. Pode acontecer em 2017? Hoje, dia de festa, vamos mudar um pouco de assunto. Vamos falar mais do espírito dos Natais de crises passadas. "Henry Ford confia num próximo melhoramento da situação econômica" era a primeira notícia da "Folha da Manhã" do Natal de 1931, outro fim de triênio triste da economia. Ford errou. A economia americana melhoraria apenas uma década depois, na Segunda Guerra. "Várias opiniões favoráveis à Constituinte" era a manchete política. O Brasil vivia sob o governo provisório da Revolução de 30. Golpe? Divertida mesmo era a publicação de mais um capítulo inédito de "Viagem ao Céu", de Mo...