Pular para o conteúdo principal

Fundo Eleitoral: bolo com dinheiro público

Discórdia na divisão do bolo com dinheiro público adia Fundo Eleitoral
Andrei Meireles – Os Divergentes
Parecia o plano perfeito. Diante do impasse na Câmara, em que a divisão do bolo entre tantos comensais gerou discórdia, optou-se pela aprovação pelo Senado, a toque de caixa, do tal Fundo Eleitoral com dinheiro público.
Ali, o acerto entre menos parceiros seria mais fácil. Dito e feito. Na terça-feira (26), o rolo compressor, pilotado por Romero Jucá e os senadores do PT, com o apoio mais discreto de outros colegas, atropelou quem se opôs ao acordão.
Todos lá sabiam que a opinião pública era contra. Quanto mais eficaz o arrastão, menor o desgaste. No Senado, a aprovação se deu por voto simbólico, em que apenas alguns puseram a cara a tapa.
O enredo previa que nessa quarta-feira (27), a fatura seria liquidada na Câmara. E até sexta-feira (29) sancionada por Michel Temer.
Não deu certo.
Tropeçou na Câmara. Não, digamos, por interessados na defesa dos contribuintes. Mas, sim, na partilha. Deputados de partidos com menor expressão no Senado se sentiram lesados pelo acerto entre os que lá dão as cartas. Não gostaram, também, de candidatos majoritários e cúpulas partidárias terem sido mais beneficiados.
Como sempre, Romero Jucá e seus parceiros recorreram ao provérbio português: “Quem parte e reparte e não fica com a melhor parte, ou é tolo, ou não tem arte”.
Criaram critérios para o rateio da grana pública entre os partidos que pareciam rigorosos, inclusive nos decimais. Chegaram a dizer que o projeto deles era mais generoso com partidos do Centrão do que o antes apreciado – e rejeitado – pela Câmara.
Na realidade, PMDB, PT e PSDB ficaram com a melhor parte. Talvez até com razão por terem sido vitoriosos nas eleições de 2014. Não conseguiram, no entanto, convencer disso o Centrão e outros partidos na Câmara.
Nem com a promessa de que Michel Temer vetaria os pontos rejeitados por essa turma. Sem acordo, bateram chapa: o pedido de urgência para o projeto oriundo do Senado não foi aprovado.
Semana que vem, aos 45 minutos do segundo tempo, vão tentar um acordo em torno de um novo rateio para o dinheiro do contribuinte para bancar as campanhas eleitorais.
Eles têm o mesmo propósito: conseguir grana para seus custos eleitorais. Venha da onde vier. Até as últimas eleições deles, em 2014, a fonte era o financiamento empresarial, que também bancava propina e Caixa 2, ajudando a eleger e a enriquecer boa parte dos políticos em todos os níveis.
Deu no que deu.
Como estão no mesmo barco, ele devem se entender. A conta, como sempre, será espetada no contribuinte.
http://www.blogdomagno.com.br/?pagina=1

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Mapa das facções em presídios brasileiros

Sem dinheiro, Exército deixa Força no Haiti

Leandro Mazzini - Coluna Alvorada Sucumbiu no cofre da União a ideia política de fazer bonito perante a Organização das Nações Unidas (ONU), na tentativa de ganhar respeito no Conselho de Segurança e conseguir um assento na patota nuclear. Com os cortes no Orçamento deste ano e as verbas minguadas a cada dia, o Exército do Brasil vai deixar a Minustah no Haiti. Para não fazer feio, ainda envia o último contingente esta semana, para os últimos seis meses de vigilância. A Missão das Nações Unidas para a Estabilização no Haiti (Minustah) foi criada e organizada pelo Conselho de Segurança da ONU para manter a ordem e evitar a tomada do poder por guerrilhas no país caribenho, após a deposição do presidente Jean-Bertrand Aristide. A presença por força política tornou-se essencialmente social após o terremoto de 2010, quando mais de 200 mil pessoas foram vitimadas. A tropa que parte para a capital Porto Príncipe foi apresentada neste domingo, na Praça dos Três Poderes em Brasíli...

'Fi-lo porque qui-lo': aprenda gramática com frase histórica de Jânio Quadros

FI-LO PORQUE QUI-LO                       Vamos lembrar um pouco de história, política e gramática?                     O ex-presidente Jânio Quadros gostava de usar palavras difíceis, construções eruditas, para manter sua imagem de pessoa culta. Diz o folclore político que, ao ser indagado sobre os motivos de sua renúncia, em 1961, teria dito: "Fi-lo porque qui-lo".                     Traduzindo para uma linguagem mais acessível, mais moderna, ele quis dizer "fiz isso porque quis isso", ou, simplificando, "fiz porque quis".                     Esse "LO" nada mais é que o pronome oblíquo "O", que ga...