Pular para o conteúdo principal

2016 assustador


Valdo Cruz - Folha de S.Paulo
O ano de 2016 começou muito pior do que todos imaginavam. O mundo piorou, a China desacelera, o preço do petróleo despenca, quase metade das empresas do setor nos Estados Unidos pode falir.
Aqui, no Brasil, nem se fala. O desemprego está em alta, a inflação, também. A recessão pode ser tão forte como a de 2015. Governadores e prefeitos estão sem dinheiro para pagar salários, o zika vírus amedronta as mulheres país afora.
O Banco Central diz que subirá os juros, não sobe, faz o que parece correto, mas erra na forma. Vira alvo de críticas de submissão política e torna mais difícil a luta contra a inflação.
Tudo isto no primeiro mês do ano, que vai terminando sem sabermos ainda o que a presidente Dilma fará para nos tirar do buraco da recessão.
A promessa é que, no final desta semana, ela irá apresentar a empresários e trabalhadores, na reunião do falecido e, agora, ressuscitado Conselhão, seu novo plano de voo.
Até aqui, o que se ouve é mais do mesmo. Jogar mais crédito na economia, apertar o cinto, promover reformas, como a da Previdência e trabalhista –receita óbvia e conhecida, mas não menos importante.
O pequeno detalhe é que ela foi prometida no ano passado, mas não nos tirou da UTI. Por quê? Porque faltam convicção no caminho e liderança para implementá-la com vigor.
Falta principalmente o que propõe o ex-ministro Delfim Netto. A presidente Dilma assumir o protagonismo do processo e conduzi-lo sem mais demora, enfrentando um Congresso também em débito com o país.
E não vale culpar a oposição, de fato em marcha incoerente com seu passado. Não é ela quem trava o país, nem o debate sobre o impeachment, tampouco a Operação Lava Jato.
O problema está num governo que não lidera sua base aliada, em tese majoritária no Congresso, e num Legislativo desconectado dos interesses do país. Dilma tem, porém, a oportunidade de recuperar a confiança perdida.
A bola está com ela.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Mapa das facções em presídios brasileiros

'Fi-lo porque qui-lo': aprenda gramática com frase histórica de Jânio Quadros

FI-LO PORQUE QUI-LO                       Vamos lembrar um pouco de história, política e gramática?                     O ex-presidente Jânio Quadros gostava de usar palavras difíceis, construções eruditas, para manter sua imagem de pessoa culta. Diz o folclore político que, ao ser indagado sobre os motivos de sua renúncia, em 1961, teria dito: "Fi-lo porque qui-lo".                     Traduzindo para uma linguagem mais acessível, mais moderna, ele quis dizer "fiz isso porque quis isso", ou, simplificando, "fiz porque quis".                     Esse "LO" nada mais é que o pronome oblíquo "O", que ga...

O milagre do Natal de 2017

Vinicius Torres Freire – Folha de S.Paulo "84 SERÁ igual ou pior que 83", dizia a manchete desta  Folha  no Natal de 1983, baseada em pesquisa com empresários. O Brasil vivia o pior triênio de recessão do século. Em 1983, a economia encolheu 2,9%. No entanto, em 1984, cresceria 5,4%. Um grande erro feliz de previsão. Pode acontecer em 2017? Hoje, dia de festa, vamos mudar um pouco de assunto. Vamos falar mais do espírito dos Natais de crises passadas. "Henry Ford confia num próximo melhoramento da situação econômica" era a primeira notícia da "Folha da Manhã" do Natal de 1931, outro fim de triênio triste da economia. Ford errou. A economia americana melhoraria apenas uma década depois, na Segunda Guerra. "Várias opiniões favoráveis à Constituinte" era a manchete política. O Brasil vivia sob o governo provisório da Revolução de 30. Golpe? Divertida mesmo era a publicação de mais um capítulo inédito de "Viagem ao Céu", de Mo...