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Petistas tratam Dilma como uma tia excêntrica


Josias de Souza
o encurtar o mandato de Dilma Rousseff, enviando-a mais cedo para a câmara de descompressão de Porto Alegre, o Senado submeteu o Partido dos Trabalhadores ao desafio de acolher sua filiada. Foi como se os senadores tivessem gritado para Dilma: “Vai procurar a sua turma”. E a legenda da presidente deposta, supostamente o grupo humano ao qual ela mais pertence depois da família, parece não saber muito bem como tratá-la.
O companheiro Rui Falcão, presidente do PT, quis saber como Dilma se viraria para encher a geladeira. Ela informou que dispõe de pensão de R$ 5 mil. Uma cifra modesta, se comparada aos R$ 33,7 mil que recebia como presidente. Compadecido, Falcão ofereceu a Dilma o emprego de presidente da Fundação Perseu Abramo, braço acadêmico do PT, financiado com as verbas públicas do Fundo Partidário.
Dilma pediu tempo para pensar. No entanto, antes que a ideia pudesse amadurecer, ergueram-se barricadas contra a hipótese de Dilma virar funcionária do PT, informa a repórter Catia Seabra. Até o temperamento irascível da ex-presidente foi listado entre os empecilhos para sua contratação.
É como se os petistas tivessem medo de atrair Dilma para um convívio mais próximo com sua família política. Admitem tolerá-la, por polidez protocolar —mais ou menos como toda família faz com uma tia excêntrica. Mas orientam Falcão a não encorajá-la a exibir no partido os dotes gerenciais que escandalizaram o Brasil.
Supremo paradoxo: ao pegar em lanças pela manutenção de Dilma na Presidência da República, o PT buscava inspiração na lenda partidária segundo a qual madame é uma executiva qualificadíssima. Ao refugar a presença dela no comando de sua Fundação, a legenda parece mais preocupada com seu passado de empreendedora.
Dilma levou à breca uma lojinha de presentes que abriu na capital gaúcha. Chamava-se ‘Pão e Circo’. Estava assentada no centro comercial Olaria. Vendia quinquilharias importadas do Panamá. Faliu em 17 meses. O petismo talvez considere que o melhor a fazer é manter a tia Dilma cuidando dos netos, em Porto Alegre. São dois. Sempre que conseguir cuidar de um, Dilma pode dobrar a meta.

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