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Um juri simulado sem sentença


Carlos Chagas
Tanto os meninos procuradores de Curitiba quanto o companheiro igual a Jesus Cristo prenderam a atenção nacional quarta e quinta-feira da semana que ainda não terminou. Nos dois casos, a primeira e fugaz impressão foi de que tanto Deltan Dellaignol quanto o Lula convenceram. Deixando a poeira assentar, verifica-se que agradaram os respectivos auditórios, mas em nenhum momento contribuíram para esclarecer a tertúlia que envolve o ex-presidente da República e seu partido.
Pode-se concluir que deu empate a exagerada troca de agressões transmitida pela televisão. Dellaignol só não acusou o Lula de lobisomem, enquanto o Lula inaugurou a temporada sucessória de 2018 apresentando-se com o mesmo figurino que veste desde os tempos de torneiro-mecânico.
Nem o procurador nem o ex-presidente contribuíram para derrotar o adversário. Um acusando violentamente sem fornecer provas. O outro ignorando as acusações e preferindo relacionar sua performance no palácio do Planalto como promessa para o futuro.
Resultado: quem era Lula continuou sendo Lula. Quem abominava o ex-presidente continuou abominando.
Já vivemos entreveros mais emocionantes e menos enfadonhos. O país inteiro já sabia de antemão cada detalhe da defesa e da acusação daquele juri simulado cuja sentença permanece em branco.
Ficou confirmado que o Lula é candidato e que Dallaignol quer ver o ex-presidente na cadeia. O veredito será conhecido antes de  2018?

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