Pular para o conteúdo principal

Volta de doação de empresas tem apoio do PSDB e PSD

Folha de S. Paulo – Talita Fernandes, Letícia Casado e Rainer Bragon

Apenas dois dos dez maiores partidos com representação no Congressodefendem publicamente a volta do financiamento empresarialde campanhas eleitorais.
Folha ouviu lideranças dos dez maiores partidos com representação no Congresso: PMDB, PT, PR, PP, PSB, PRB, DEM, PDT, PSDB e PSD. Desses, apenas PSDB e PSD são favoráveis à volta das doações de pessoa jurídica.
Nos dois casos, o apoio à doação de empresas depende da adoção de critérios que limitem as contribuições.
"Trabalho pelo financiamento empresarial, mas com critérios, regras e vigilância", diz Marcos Montes (MG), líder do PSD na Câmara.
O presidente interino do PSDB, senador Tasso Jereissati (CE), também defende que empresas possam fazer doações. Ele vem afirmando que é "inaceitável" a criação de um fundo com recursos públicos em um momento de crise, como a proposta de destinar R$ 3,6 bilhões para as eleições do ano que vem.
O tucano defende regulamentos e limitações mais duras em relação ao modelo adotado até 2015, quando o Supremo Tribunal Federal declarou a inconstitucionalidade das doações de pessoas jurídicas.
Mesmo os defensores do modelo admitem a dificuldade de o Congresso aprovar até o fim de setembro uma proposta de emenda à Constituição (PEC) sobre o assunto.
Parlamentares ouvidos pela reportagem dizem que não há clima para discutir o assunto a tempo das eleições de outubro do ano que vem.
Apesar da falta de apoio para as eleições de 2018, políticos não descartam rever o modelo no futuro. O presidente do PP, senador Ciro Nogueira (PI), diz que a sigla nunca defendeu o uso de dinheiro público em eleições, mas que diante da proibição pelo STF é necessária nova forma de custear as candidaturas.
Partidos como o DEM não têm posição definida. O presidente da sigla, senador Agripino Maia (RN), diz ser contrário à adoção do modelo. O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), defende a volta da doação de empresas, mas "com restrições".
No STF, onde a composição atual é diferente da corte que declarou a inconstitucionalidade das doações empresariais, ministros admitem nos bastidores que o tema pode ser alvo de novo julgamento.
Contudo, assim como no Congresso, é quase consenso que este não é momento para debater o tema. Dizem reservadamente que uma possível volta do financiamento privado dependeria de uma limitação, como por exemplo a criação de um teto.


Recentemente, o ministro Luiz Fux, que votou para proibir as doações privadas, admitiu a possibilidade de rever sua posição sobre o tema. A declaração criou esperança entre parlamentares de que campanhas possam voltar a receber doação empresarial. 
http://www.blogdomagno.com.br

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Mapa das facções em presídios brasileiros

'Fi-lo porque qui-lo': aprenda gramática com frase histórica de Jânio Quadros

FI-LO PORQUE QUI-LO                       Vamos lembrar um pouco de história, política e gramática?                     O ex-presidente Jânio Quadros gostava de usar palavras difíceis, construções eruditas, para manter sua imagem de pessoa culta. Diz o folclore político que, ao ser indagado sobre os motivos de sua renúncia, em 1961, teria dito: "Fi-lo porque qui-lo".                     Traduzindo para uma linguagem mais acessível, mais moderna, ele quis dizer "fiz isso porque quis isso", ou, simplificando, "fiz porque quis".                     Esse "LO" nada mais é que o pronome oblíquo "O", que ga...

O milagre do Natal de 2017

Vinicius Torres Freire – Folha de S.Paulo "84 SERÁ igual ou pior que 83", dizia a manchete desta  Folha  no Natal de 1983, baseada em pesquisa com empresários. O Brasil vivia o pior triênio de recessão do século. Em 1983, a economia encolheu 2,9%. No entanto, em 1984, cresceria 5,4%. Um grande erro feliz de previsão. Pode acontecer em 2017? Hoje, dia de festa, vamos mudar um pouco de assunto. Vamos falar mais do espírito dos Natais de crises passadas. "Henry Ford confia num próximo melhoramento da situação econômica" era a primeira notícia da "Folha da Manhã" do Natal de 1931, outro fim de triênio triste da economia. Ford errou. A economia americana melhoraria apenas uma década depois, na Segunda Guerra. "Várias opiniões favoráveis à Constituinte" era a manchete política. O Brasil vivia sob o governo provisório da Revolução de 30. Golpe? Divertida mesmo era a publicação de mais um capítulo inédito de "Viagem ao Céu", de Mo...