Pular para o conteúdo principal

Democracia: sem superpoderosos funciona bem

Democracia dispensa tantos superpoderosos para funcionar bem
Vinicius Mota – Folha de S.Paulo
O ciclo democrático iniciado em 1985 no Brasil transitou para uma forma dispendiosa de "equilibrar" as forças que disputam poder, riqueza e status.
Do presidente da República se fez dono da agenda parlamentar e do Orçamento, capaz de vetar no todo ou em parte projetos aprovados e de legislar de antemão. Foi proclamado senhor da dívida pública, dos vastos créditos estatais e dos contratos de empresas da União onipresentes.
Contra esse imperador de faixa, o Congresso se fortaleceu. Descobriu logo o poder de destronar o chefão. A fragmentação partidária compôs a equação: para o presidente, era trazer a maioria parlamentar para dentro da máquina federal ou correr os riscos da paralisia e da degola.
O Judiciário seguiu a trilha. Na cúpula, agigantaram-se o colegiado do Supremo Tribunal Federal e cada um dos 11 ministros. Na base, juízes desenvolveram meios de atenuar o hipergarantismo que oferecia proteção extra aos poderosos.
A chamada geral à hipertrofia foi atendida nos órgãos de controle. Não se veem paralelos do grau de autonomia obtido no Brasil por membros singulares do Ministério Público. O Tribunal de Contas da União paira como espada sobre o pescoço dos burocratas que tomam decisões.
Por essa via hiperbólica, pode-se até argumentar que foi atingido certo equilíbrio institucional, mas a preço salgado em termos de dissipação de energia. O bem-estar material da sociedade dificilmente poderá prosperar nos próximos anos sujeito a tamanho custo de transação.
O provável fim do foro especial para quase todas as autoridades, a filtragem dos excessos dos órgãos de controle e a diminuição do poderio econômico do Executivo federal parecem sinais preliminares de combate às causas do gigantismo.
Se cada titã for um pouco encolhido, chega-se à estabilidade institucional da democracia com menor queima de recursos.
http://www.blogdomagno.com.br/?pagina=1

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Mapa das facções em presídios brasileiros

'Fi-lo porque qui-lo': aprenda gramática com frase histórica de Jânio Quadros

FI-LO PORQUE QUI-LO                       Vamos lembrar um pouco de história, política e gramática?                     O ex-presidente Jânio Quadros gostava de usar palavras difíceis, construções eruditas, para manter sua imagem de pessoa culta. Diz o folclore político que, ao ser indagado sobre os motivos de sua renúncia, em 1961, teria dito: "Fi-lo porque qui-lo".                     Traduzindo para uma linguagem mais acessível, mais moderna, ele quis dizer "fiz isso porque quis isso", ou, simplificando, "fiz porque quis".                     Esse "LO" nada mais é que o pronome oblíquo "O", que ga...

DIA DO MÉDICO VETERINÁRIO

9 de setembro – Dia do Médico Veterinário: a importância de se reconhecer esse profissional Foi  em 09 de setembro de 1933 que o presidente  do Brasil, Getúlio Vargas, assinou o Decreto Lei nº 23.133, que regulariza a profissão e o ensino da medicina veterinária no país. Em reconhecimento, o Dia do Veterinário passou a ser comemorado nessa data. A Medicina Veterinária é a ciência que se dedica à prevenção, controle, erradicação e tratamento de doenças, traumatismos ou qualquer outro agravo à saúde dos animais, além do controle da sanidade dos produtos e subprodutos de origem animal para o consumo humano. A medicina veterinária também busca assegurar a qualidade, quantidade e a segurança dos estoques de alimento de origem animal através do controle da saúde dos animais e dos processos que visam obter seus produtos (tais como carne, ovos, leite, couro, etc.), assim como sua distribuição, venda e preparo. As áreas em que o médico veterinário pode atuar são diversas, como Sa...