Pular para o conteúdo principal

Eita, país mais chato


Carlos Brickmann


Dilma viaja a São Bernardo para ser homenageada pelos alunos de uma faculdade - ainda bem que com dinheiro da vaquinha, não o nosso. Em suas viagens a Porto Alegre, essas com dinheiro público, a presidente afastada leva duas malas grandes. E daí? O presidente Michel Temer diz que o Brasil está preparado para enfrentar possíveis atos de terrorismo nas Olimpíadas do Rio. Não está, e Temer sabe disso. 

É uma de suas grandes preocupações; mas que é que queriam que declarasse? Com alguns dias de diferença, Temer garantiu que "que os turistas podem ir 'tranquilos' ao Rio para a Olimpíada". Ir com tranquilidade, podem; os problemas são a permanência e o regresso. O prefeito do Rio, Eduardo Paes, disse a verdade, que o Rio se preparou mal para o evento e pouco ganhará com os investimentos que fez. Levou paulada até explicar que tinha sido mal interpretado. Aí sossegou. Falar a verdade tem alto custo político.

Paes e Temer esqueceram que, a partir do momento em que o Rio foi definido como sede dos Jogos Olímpicos, o partido que administrou Estado e cidade foi o seu PMDB. O Rio em que uma linda ciclovia durou menos de um mês, em que vigas de aço de 20 toneladas foram roubadas, em que o orçamento de um ano dura sete meses faz parte do prontuário do PMDB.

É por isso que, em qualquer página do jornal, em qualquer caderno de qualquer assunto, o tema seja sempre o mesmo: crime. É chato demais. 

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Mapa das facções em presídios brasileiros

'Fi-lo porque qui-lo': aprenda gramática com frase histórica de Jânio Quadros

FI-LO PORQUE QUI-LO                       Vamos lembrar um pouco de história, política e gramática?                     O ex-presidente Jânio Quadros gostava de usar palavras difíceis, construções eruditas, para manter sua imagem de pessoa culta. Diz o folclore político que, ao ser indagado sobre os motivos de sua renúncia, em 1961, teria dito: "Fi-lo porque qui-lo".                     Traduzindo para uma linguagem mais acessível, mais moderna, ele quis dizer "fiz isso porque quis isso", ou, simplificando, "fiz porque quis".                     Esse "LO" nada mais é que o pronome oblíquo "O", que ga...

O milagre do Natal de 2017

Vinicius Torres Freire – Folha de S.Paulo "84 SERÁ igual ou pior que 83", dizia a manchete desta  Folha  no Natal de 1983, baseada em pesquisa com empresários. O Brasil vivia o pior triênio de recessão do século. Em 1983, a economia encolheu 2,9%. No entanto, em 1984, cresceria 5,4%. Um grande erro feliz de previsão. Pode acontecer em 2017? Hoje, dia de festa, vamos mudar um pouco de assunto. Vamos falar mais do espírito dos Natais de crises passadas. "Henry Ford confia num próximo melhoramento da situação econômica" era a primeira notícia da "Folha da Manhã" do Natal de 1931, outro fim de triênio triste da economia. Ford errou. A economia americana melhoraria apenas uma década depois, na Segunda Guerra. "Várias opiniões favoráveis à Constituinte" era a manchete política. O Brasil vivia sob o governo provisório da Revolução de 30. Golpe? Divertida mesmo era a publicação de mais um capítulo inédito de "Viagem ao Céu", de Mo...