Pular para o conteúdo principal

Temer e Alckmin parecem ignorar a Lava Jato


Blog de Josias de Souza
Não só o pudor, mas a própria palavra ‘pudor’ tornou-se tão fora de moda como fuzarca. Ninguém mais se ruboriza na política. O presidente interino Michel Temer e o governador paulista Geraldo Alckmin, por exemplo, decidiram correr riscos. Ambos se movem como se não houvesse Lava Jato.
Temer está na bica de trazer à luz o nome do novo ministro do Turismo. Para substituir Henrique Eduardo Alves, afastado depois que a Lava Jato farejou sua conta secreta na Suíça, o presidente escolheu o deputado federal alagoano Marx Beltrão. Foi indicado por Renan Calheiros, o mandachuva do Senado, também encrencado na Lava Jato. O próprio Beltrão é réu no Supremo Tribunal Federal por falsidade ideológica.
Alckmin empossou na Secretaria de Meio Ambiente de São Paulo um preposto do PP: o advogado Ricardo Salles. Não exibe um histórico de atuação na área ambiental. Pode ser uma brilhante criatura. Mas traz o selo de idoneidade do PP, campeão em número de encrencados na Lava Jato. O partido integrou-se à caravana de João Dória, candidato de Alckmin à prefeitura de São Paulo. E foi recompensado.
Pudor virou um outro nome para fuzarca, o sinônimo démodé de bagunça. Considerando-se que o presidente da República e o governador do Estado mais desenvolvido da federação não conseguem excluir a imoralidade de suas articulações, o país precisa providenciar urgentemente um código de falta de ética.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Mapa das facções em presídios brasileiros

Sem dinheiro, Exército deixa Força no Haiti

Leandro Mazzini - Coluna Alvorada Sucumbiu no cofre da União a ideia política de fazer bonito perante a Organização das Nações Unidas (ONU), na tentativa de ganhar respeito no Conselho de Segurança e conseguir um assento na patota nuclear. Com os cortes no Orçamento deste ano e as verbas minguadas a cada dia, o Exército do Brasil vai deixar a Minustah no Haiti. Para não fazer feio, ainda envia o último contingente esta semana, para os últimos seis meses de vigilância. A Missão das Nações Unidas para a Estabilização no Haiti (Minustah) foi criada e organizada pelo Conselho de Segurança da ONU para manter a ordem e evitar a tomada do poder por guerrilhas no país caribenho, após a deposição do presidente Jean-Bertrand Aristide. A presença por força política tornou-se essencialmente social após o terremoto de 2010, quando mais de 200 mil pessoas foram vitimadas. A tropa que parte para a capital Porto Príncipe foi apresentada neste domingo, na Praça dos Três Poderes em Brasíli...

'Fi-lo porque qui-lo': aprenda gramática com frase histórica de Jânio Quadros

FI-LO PORQUE QUI-LO                       Vamos lembrar um pouco de história, política e gramática?                     O ex-presidente Jânio Quadros gostava de usar palavras difíceis, construções eruditas, para manter sua imagem de pessoa culta. Diz o folclore político que, ao ser indagado sobre os motivos de sua renúncia, em 1961, teria dito: "Fi-lo porque qui-lo".                     Traduzindo para uma linguagem mais acessível, mais moderna, ele quis dizer "fiz isso porque quis isso", ou, simplificando, "fiz porque quis".                     Esse "LO" nada mais é que o pronome oblíquo "O", que ga...