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Dia 7: Planalto teme panelaço contra Temer


Josias de Souza
Ao decidir levar ao ar seu primeiro pronunciamento no feriado em 7 de Setembro, Michel Temer deu de ombros para ponderações que ouviu de auxiliares. Integrantes de sua equipe receiam que ele seja alvo do seu primeiro panelaço. Embora concorde com a avaliação, Temer decidiu correr o risco.
Temer se esforça para conviver com a impopularidade. Há duas semanas, foi à abertura dos Jogos Olímpicos sabendo que seria hostilizado. Evocou Nelson Rodrigues: “No Maracanã, vaia-se até minuto de silêncio.” Ao anunciar a abertura da Olimpíada, foi vaiado mesmo sem que seu nome tivesse sido mencionado no sistema de som.
Temer faltou à cerimônia de encerramento, na noite deste domingo (21). Enviou como representante o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ). O deputado sentou-se ao lado do presidente do Comitê Olímpico Internacional, Thomas Bach. Mas sua presença também não foi anunciada pelo ceremonial do evento.
Numa tentativa de vacinar Temer contra o panelaço, o Planalto volta a se escorar em Nelson Rodrigues: “Toda unanimidade é burra”, disse um auxiliar do presidente que, em poucos dias, deve ser efetivado no cargo pelo Senado. “As manifestações da sociedade são parte da democracia”, acrescentou.
Em junho, o medo de panelaço fizera Temer desistir de uma aparição em rede nacional de rádio e tevê. O governo enviara ao Congresso a proposta de emenda constitucional que cria um teto para limitar o crescimento das despesas públicas. E Temer programara-se para bater bumbo na vitrine eletrônica. Celebraria a normalização das relações com o Legislativo e a retomada da confiança dos agentes econômicos.


Recuou depois de ouvir o estrondo da delação premiada de Sérgio Machado, o ex-tucano que se converteu ao PMDB e presidiu a Transpetro por quase 12 anos. Período em que fez da subsidiária da Petrobras uma usina de trambiques e propinas.

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