Pular para o conteúdo principal

Placar não muda, mas Dilma sai maior


Helena Chagas - Blog Os Divergentes
O placar continua favorável ao impeachment, mas a presidente afastada Dilma Rousseff saiu maior do que entrou das mais de 12 horas de depoimento no Senado nesta segunda-feira. Dilma não contrariou a fama de quem cresce na disputa, e depois de um início de inquirição em que foi excessivamente técnica e repetitiva, recuperou o prumo à tarde, criticando seguidamente o governo interino, insistindo na tese do golpe e reafirmando o apoio ao plebiscito sobre novas eleições.
O principal saco de pancadas desse raro dia de depoimento presidencial acabou ficando fora do plenário, do outro lado da rua. Foi o Planalto, que não teve defesa contra os ataques de Dilma, já que a maioria dos senadores do PMDB ligados a Michel Temer – ex- ministros ou ex-aliados da presidente afastada – ficou calada. Preferiram não se expor e não fazer perguntas à depoente. Quem falou a favor do impeachment, em sua maioria do PSDB e do DEM, não se deu ao trabalho de defender o governo interino.
Só restou ao Planalto passar seu recibo, soltando, a tempo do Jornal Nacional, nota em que nega que vai acabar com direitos e garantias constitucionais em suas reformas. Afinal, não apareceu ninguém do governo para dar essa resposta durante o depoimento de Dilma.
A inibição – ou medo – dos peemedebistas também prejudicou a imagem do Senado que deverá cassar Dilma em mais 24 horas. Sem eles, que compõem a maior bancada, os aguerridos defensores de Dilma no PT e outros partidos aliados, sempre em franca minoria, cresceram e apareceram nos debates. A turma pró-impeachment ficou parecendo menor.
Depois das 22horas, era nítida a ansiedade de muitos senadores para que aquilo acabasse logo. Era visível o cansaço na fisionomia do presidente Ricardo Lewandowiski. Mas Dilma, apesar de começar a ficar sem voz, não demonstrava qualquer desânimo. Respondia os senadores com a mesma ênfase professoral, repetindo o que já dissera várias vezes antes, em respostas longas e detalhadas. E ainda ocupou o tempo da defesa nas  considerações finais.
Foi, certamente, um dos dias mais tensos de sua vida. Talvez por isso ela tenha ficado tão à vontade.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Mapa das facções em presídios brasileiros

Sem dinheiro, Exército deixa Força no Haiti

Leandro Mazzini - Coluna Alvorada Sucumbiu no cofre da União a ideia política de fazer bonito perante a Organização das Nações Unidas (ONU), na tentativa de ganhar respeito no Conselho de Segurança e conseguir um assento na patota nuclear. Com os cortes no Orçamento deste ano e as verbas minguadas a cada dia, o Exército do Brasil vai deixar a Minustah no Haiti. Para não fazer feio, ainda envia o último contingente esta semana, para os últimos seis meses de vigilância. A Missão das Nações Unidas para a Estabilização no Haiti (Minustah) foi criada e organizada pelo Conselho de Segurança da ONU para manter a ordem e evitar a tomada do poder por guerrilhas no país caribenho, após a deposição do presidente Jean-Bertrand Aristide. A presença por força política tornou-se essencialmente social após o terremoto de 2010, quando mais de 200 mil pessoas foram vitimadas. A tropa que parte para a capital Porto Príncipe foi apresentada neste domingo, na Praça dos Três Poderes em Brasíli...

'Fi-lo porque qui-lo': aprenda gramática com frase histórica de Jânio Quadros

FI-LO PORQUE QUI-LO                       Vamos lembrar um pouco de história, política e gramática?                     O ex-presidente Jânio Quadros gostava de usar palavras difíceis, construções eruditas, para manter sua imagem de pessoa culta. Diz o folclore político que, ao ser indagado sobre os motivos de sua renúncia, em 1961, teria dito: "Fi-lo porque qui-lo".                     Traduzindo para uma linguagem mais acessível, mais moderna, ele quis dizer "fiz isso porque quis isso", ou, simplificando, "fiz porque quis".                     Esse "LO" nada mais é que o pronome oblíquo "O", que ga...