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Reforma: derrota é mais um vexame político para Temer


Josias de Souza
Na primeira votação relevante depois da hecatombe política da Odebrecht, o governo de Michel Temer sofreu no início da noite desta terça-feira uma derrota no plenário da Câmara. Os partidos governistas não conseguiram arregimentar os votos necessários à aprovação de um requerimento de urgência para a tramitação da reforma trabalhista. O Planalto precisava de pelo menos 257 votos. Mas só conseguiu levar ao painel eletrônico 230 votos. Outros 163 deputados votaram contra o ritmo de toque de caixa. Veja aqui a íntegra da lista de votação.
A derrota foi um vexame político para o governo. Temer e seus operadores davam como certa a aprovação do pedido de urgência. Celebravam antecipadamente a aprovação da própria reforma da legislação trabalhista, que, em ritmo de toque de caixa, iria a voto antes do final do mês. Imaginava-se que o triunfo serviria de laboratório para a análise de outra reforma, a da Previdência, ainda mais encrespada. O problema é que só no dicionário o sucesso vem antes do trabalho. Os governistas esqueceram de providenciar o o essencial: votos. Houve traições em penca.
O tropeço foi celebrado pela oposição aos gritos de 'Fora, Temer'.  Parlamentares do PSOL e da Rede plantaram-se atrás da mesa diretora. Ergueram sobre a cabeça do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), hoje um dos principais aliados políticos de Temer, cartazes com inscrições tóxicas: ''Fim do foro privilegiado já'', ''Isso não é normal'' e ''Temer não é uma delação qualquer.''
Um detalhe potencializou o fiasco governista: horas antes, no início da manhã, os deputados supostamente aliados ao Planalto haviam tomado café da manhã com Temer, no Palácio do Jaburu. Ouviram apelos em favor das reformas. Estava entendido que a infantaria pegaria em lanças no plenário. Faltou mão-de-obra.
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