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Temer tenta retirar cartolas de dentro de coelhos


Josias de Souza
É dura a vida de Michel Temer. No comando de um governo precário e lotado de suspeitos, o presidente se esforça para convencer um Congresso desmoralizado a aprovar reformas impopulares. Diante desse desafio estupendo, Temer ostenta o melhor discurso que pôde arranjar. Em encontro com deputado governistas, ele disse que é preciso “resistir” à situação delicada criada pela Lava Jato por meio do trabalho. Afirmou, com outras palavras, que o Congresso precisa se mostrar útil, para atenuar a desmoralização.
Temer parece tirar inspiração de uma conversa que teve com Fernando Henrique Cardoso. Numa fase em que o Supremo Tribunal Federal ainda não tinha jogado as delações da Odebrecht no ventilador, FHC disse a Temer que é nos momentos de caos que o Brasil costuma avançar. Foi assim, segundo ele, no governo Itamar Franco. O país vinha de um impeachment, o governo era de transição e o escândalo dos anões do Orçamento ardia nas manchetes. Com tudo isso, aprovou-se o Plano Real.
Temer vende aos aliados a tese de que a aprovação das reformas fará o PIB brasileiro crescer como um foguete. Com sua retórica exagerada, tenta convencer sua tropa de que é melhor servir o remédio amargo agora do que chegar às eleições de 2018 ainda sob os efeitos do câncer da recessão. Temer sabe que, se fraquejar no Congresso, seu governo perde o sentido. Disse à infantaria governista que não é hora de acoelhar-se. A imagem do coelho é sugestiva. Se Temer fosse um mágico, não bastaria tirar coelhos da cartola. Teria de tirar cartolas de dentro do coelho.
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