Pular para o conteúdo principal

Dilma diz que oposição fica dividindo o país


Por Paula Sperb e Marcelo Toledo
Da Folha de S.Paulo
Em visita oficial do governo no Rio Grande do Sul, a presidente Dilma Rousseff voltou a defender o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, criticou a forma como o petista foi levado para prestar depoimento na última sexta-feira (4) e disse que a oposição "fica dividindo o país".
"O Brasil está passando por um momento de dificuldades. Uma parte desse momento de dificuldades é devido também à sistemática crise política que [os opositores] provocam no país, aqueles que são inconformados que perderam as eleições e querem antecipar a eleição de 2018", disse Dilma em Caxias do Sul (RS), durante discurso durante cerimônia de entrega simultânea de 2.434 imóveis do programa Minha Casa, Minha Vida.
Segundo ela, um governo tem de querer a unidade dos brasileiros e governar para todos, não só para um "pedaço da população". "Um governo não pergunta ao fazer um programa como o Minha Casa, Minha Vida a que partido pertence, o que acredita, qual é seu credo religioso ou seu time de futebol. Um governo sempre quer a unidade do país e a oposição tem o absoluto direito de divergir. Mas a oposição não pode sistematicamente ficar dividindo o país, não pode."
Dilma disse que Lula nunca se recusou a prestar depoimento e que a alegação de que a condução coercitiva (quando a pessoa é obrigada a depor) tinha como objetivo proteger o ex-presidente é estranha.
 "[Lula] Nunca se recusou [a depor], nunca se achou, nunca o presidente Lula, justiça seja feita, nunca se julgou melhor do que ninguém. Sempre aceitou, convidado para prestar esclarecimento, sempre foi. Então não tem o menor sentido, conduzir, como se diz, sob vara, para prestar depoimento, se ele jamais se recusou a ir", afirmou a petista.
"Nem cabe alegar que estavam protegendo ele. Como disse um juiz, era necessário saber se ele queria ser protegido, porque tem certo tipo de proteção que é muito estranho. Além disso, no Brasil, nós temos assistido a vazamentos sistemáticos e esses vazamentos provam a partir de um determinado momento que não são verdadeiros, mas aí o estrago de jogar lama nos outros já ocorreu."
Dilma disse ainda que opiniões divergentes não podem ser demonizadas, mas é preciso exigir respeito. "Eu não acho que a gente pode demonizar ninguém, a gente não pode demonizar pessoas, não pode demonizar órgãos de imprensa, nós não podemos demonizar opinião diferente da nossa. Agora nós temos de exigir o respeito. Cada um de nós tem de exigir o respeito para si e dar o respeito aos outros."
ECONOMIA
No fim do discurso, a presidente disse que os ajustes feitos na economia têm como objetivo preservar programas como o Minha Casa, Minha Vida. "Fazemos [ajustes] como na casa da gente, sempre que precisa, sempre que cai um pouco a nossa receita. Agora, um governo tem de fazer o ajuste e olhar o que quer preservar. Nós estamos fazendo ajustes para preservar aquilo que consideramos mais importante, como é o caso do programa Minha Casa, Minha Vida."
Ela foi aplaudida antes, durante e após seu discurso. Até quando parou de falar para tomar água, ouviu a expressão "não vai ter golpe" de simpatizantes presentes ao evento.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Mapa das facções em presídios brasileiros

'Fi-lo porque qui-lo': aprenda gramática com frase histórica de Jânio Quadros

FI-LO PORQUE QUI-LO                       Vamos lembrar um pouco de história, política e gramática?                     O ex-presidente Jânio Quadros gostava de usar palavras difíceis, construções eruditas, para manter sua imagem de pessoa culta. Diz o folclore político que, ao ser indagado sobre os motivos de sua renúncia, em 1961, teria dito: "Fi-lo porque qui-lo".                     Traduzindo para uma linguagem mais acessível, mais moderna, ele quis dizer "fiz isso porque quis isso", ou, simplificando, "fiz porque quis".                     Esse "LO" nada mais é que o pronome oblíquo "O", que ga...

Reincidência faz de Dirceu um mártir do cinismo

Josias de Souza Ao  condenar  José Dirceu a 23 anos e 3 meses de cadeia, nesta quarta-feira (18), o doutor Sérgio Moro transformou em pó a análise de conjuntura que o diretório do PT aprovara horas antes. Na sentença do juiz da Lava Jato, Dirceu não é o “heroi do povo brasileiro” retratado no grito de guerra da militância, mas um criminoso  reincidente . Ainda assim, o documento do PT refere-se à Lava Jato como uma operação “golpista”. “A Operação Lava Jato desempenha papel crucial na escalada golpista”, anotou o PT na sua análise de conjuntura. “Alicerçada sobre justo sentimento anticorrupção do povo brasileiro, configurou-se paulatinamente em instrumento político para a guerra de desgaste contra dirigentes e governantes petistas, atuando de forma cada vez mais seletiva quanto a seus alvos, além de marcada por violações ao Estado Democrático de Direito.” Preso em Curitiba desde agosto de 2015, Dirceu foi sentenciado por ter recebido pixulecos que somam R$ 15 milh...