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Uma bomba ainda sem provas


O senador Delcídio Amaral não reconheceu a documentação da revista IstoÉ sobre sua delação premiada, mas também não negou suas declarações, que caíram como uma bomba em Brasília, ontem, levando-a a convocar uma reunião de emergência com os seus ministros mais influentes. O fato é que, a partir de agora, mais lenha foi jogada nessa fogueira da crise, cujos desdobramentos são imprevisíveis. A cabeça de Dilma só ficará a prêmio se fato se as provas do senador forem contundentes.
Em seu relato, Delcídio cita outros senadores e deputados, tanto da base aliada quando da oposição. Segundo a publicação, Delcídio revelou que Dilma tentou três vezes interferir na Lava Jato com a ajuda do ex-ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo. "É indiscutível e inegável a movimentação sistemática do ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, e da própria presidente Dilma Rousseff no sentido de tentar promover a soltura de réus presos no curso da referida operação", afirma o senador.
O senador diz, segundo a revista, que a terceira investida de Dilma contra a Lava Jato foi a nomeação do desembargador Marcelo Navarro para o STJ. "Tal nomeação seria relevante para o governo", pois o nomeado cuidaria dos "habeas corpus e recursos da Lava Jato no STJ", conta Delcídio.
De acordo com a revista, Delcídio diz que Lula pediu "expressamente" para que ele ajudasse o pecuarista José Carlos Bumlai, porque o empresário estaria implicado nas delações de Fernando Baiano e Nestor Cerveró. Para o senador, Bumlai tinha "total intimidade" e exercia o papel de "consigliere" da família Lula, expressão em italiano que remete aos conselheiros dos chefes da máfia italiana.
"No caso, Delcídio intermediaria o pagamento de valores à família de Cerveró", afirma o acordo de delação. Na conversa com o ex-presidente, de acordo com outro trecho da delação, Delcídio diz que "aceitou intermediar a operação", mas lhe explicou que "com José Carlos Bumlai seria difícil falar, mas que conversaria com o filho, Maurício Bumlai, com quem mantinha boa relação".
Depois de receber a quantia de Maurício Bumlai, a primeira remessa de R$ 50 mil foi entregue em mãos pelo próprio Delcídio ao advogado de Cerveró, Edson Ribeiro, também preso pela Lava Jato e solto em 24 de fevereiro. Em seu relato, Delcídio afirma que uma das maiores preocupações de Lula é a CPI do Carf (Conselho Administrativo de Recursos Fiscais), já que as investigações podem implicar os filhos do ex-presidente, Fábio Luiz Lula da Silva e Luiz Claudio Lula da Silva.
O senador conta que várias vezes foi convocado por Lula para evitar a convocação de Mauro Marcondes e Cristina Mautoni para depor. De acordo com o relatório da Lava Jato, como líder do Senado, Delcídio "mobilizou a base do governo para derrubar os requerimentos de convocação do casal". O presidente do PT, Rui Falcão, disse a interlocutores que não pretende se manifestar sobre os termos da delação premiada de Delcídio.
Reunida em São Paulo, a cúpula do PT definiu como estratégia, porém, desqualificar o teor das acusações, alegando que o senador está magoado com o partido. A decisão, até agora, é de não se manifestar formalmente e de responder apenas se for oficialmente questionado.
A informação sobre a delação caiu como uma bomba na reunião da executiva nacional do PT. O encontro foi convocado para debater estratégia para as eleições municipais. Mas a notícia mudou a pauta da reunião.

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