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Dilma tende a virar bola da vez


A maioria dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) aceitou, ontem, o recebimento parcial de uma denúncia contra o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), pelo suposto recebimento de US$ 5 milhões de propina do esquema de corrupção que atuava na Petrobras. Dos 11 ministros da Corte, seis votaram em favor da abertura da ação penal contra o deputado. Outros cinco magistrados irão votar hoje com a tendência de seguir a maioria.
Votaram a favor da abertura de ação penal, além do relator do caso, Teori Zavascki, os ministros Cármen Lúcia, Marco Aurélio Mello, Luís Roberto Barroso, Luiz Fachin e Rosa Weber. O julgamento será retomado, hoje, com os votos dos ministros Dias Toffoli, Gilmar Mendes, Celso de Mello e Ricardo Lewandowski. Luiz Fux está fora do País e não deve participar do julgamento.
Denunciado pela maioria, Cunha vira réu no processo e será obrigado a fazer a sua defesa. Foi a segunda derrota em apenas dois dias. Na terça-feira passada, por uma diferença de apenas um voto – o voto minerva do presidente José Carlos Araújo – o Conselho de Ética aprovou por 11 votos a 10 o prosseguimento do processo de cassação do presidente da Casa por quebra do decoro parlamentar.
Cunha é um moribundo? Fragilizou-se bastante e caminha para ser cassado e condenado no Supremo. Ocorrendo isso, não tem como resistir à cassação, mesmo controlando mais de 200 deputados na Câmara, como demonstrou no Conselho de Ética, quando conseguiu 10 votos e sua cabeça só foi ao sacrifício por causa do voto de minerva do presidente.
O julgamento do presidente da Câmara gerou uma grande expectativa em Brasília e no País inteiro. A TV Justiça, que transmitiu ao vivo, bateu recorde de audiência, especialmente no Palácio do Planalto, onde existe uma grande torcida pela sua condenação e consequentemente seu afastamento da presidência. A sessão de julgamento da denúncia conta Cunha foi sintonizada em salas situadas a poucos metros do gabinete presidencial.
Há, no staff de Dilma e com ela própria, um sentimento de que a derrocada de Eduardo Cunha pode levar, definitivamente, o processo de impedimento de Dilma para as calendas. Mas não é por aqui que a banda toca. Caindo, Cunha transfere a crise para o outro lado da Praça dos Três Poderes e a bola da vez passa a ser a presidente Dilma. A prisão do marqueteiro João Santana trouxe o ingrediente para colocar Dilma no caldeirão fervente, mais uma vez.

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