Pular para o conteúdo principal

A casa caiu


Carlos Brickmann
Na campanha de Dilma, eram conhecidos como os Três Porquinhos, que cuidavam de tudo. Um porquinho, o presidente nacional do PT, José Eduardo Dutra, saiu por doença. Só restaram dois. O segundo porquinho, o chefe da Casa Civil Antônio Palocci, alvejado por acusações diversas, houve por bem sair do Governo. Só restou um. Num Governo tão esquisito que juntava os leitões ao ministro Lobão, José Eduardo Cardozo, o porquinho 3, dizendo-se cansado dos ataques de adversários e aliados, trocou o Ministério da Justiça pela Advocacia Geral da União, no lugar de Luiz Inácio Adams. Para Dilma, não restam mais porquinhos. Nem a casa bem construída por uma boa empreiteira resistiu: o sopro levou.

Não restam mais porquinhos, e os aliados que lhe sobraram são poucos e não muito poderosos. Lula queria Nelson Jobim na Justiça, talvez achando que, com seu estilo trator, seria capaz de enquadrar a Polícia Federal; e Dilma nomeou o procurador Wellington César, da Bahia), indicado pelo chefe da Casa Civil, Jaques Wagner. Lula queria Henrique Meirelles na Fazenda, Dilma optou por Joaquim Levy, primeiro, e Nelson Barbosa, depois. Distanciou-se de seu padrinho político. E, se nem Lula aguenta Dilma, quem há de?

Cardozo há muito ameaçava deixar o cargo e Dilma sempre o convenceu a ficar. Desta vez, ele vazou a notícia a jornalistas muito amigos, deixando-a sem condições de insistir. Dilma o levou então para a AGU, para mantê-lo por perto.

Tem gente que não percebe quando a sorte a abençoa.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Mapa das facções em presídios brasileiros

'Fi-lo porque qui-lo': aprenda gramática com frase histórica de Jânio Quadros

FI-LO PORQUE QUI-LO                       Vamos lembrar um pouco de história, política e gramática?                     O ex-presidente Jânio Quadros gostava de usar palavras difíceis, construções eruditas, para manter sua imagem de pessoa culta. Diz o folclore político que, ao ser indagado sobre os motivos de sua renúncia, em 1961, teria dito: "Fi-lo porque qui-lo".                     Traduzindo para uma linguagem mais acessível, mais moderna, ele quis dizer "fiz isso porque quis isso", ou, simplificando, "fiz porque quis".                     Esse "LO" nada mais é que o pronome oblíquo "O", que ga...

O milagre do Natal de 2017

Vinicius Torres Freire – Folha de S.Paulo "84 SERÁ igual ou pior que 83", dizia a manchete desta  Folha  no Natal de 1983, baseada em pesquisa com empresários. O Brasil vivia o pior triênio de recessão do século. Em 1983, a economia encolheu 2,9%. No entanto, em 1984, cresceria 5,4%. Um grande erro feliz de previsão. Pode acontecer em 2017? Hoje, dia de festa, vamos mudar um pouco de assunto. Vamos falar mais do espírito dos Natais de crises passadas. "Henry Ford confia num próximo melhoramento da situação econômica" era a primeira notícia da "Folha da Manhã" do Natal de 1931, outro fim de triênio triste da economia. Ford errou. A economia americana melhoraria apenas uma década depois, na Segunda Guerra. "Várias opiniões favoráveis à Constituinte" era a manchete política. O Brasil vivia sob o governo provisório da Revolução de 30. Golpe? Divertida mesmo era a publicação de mais um capítulo inédito de "Viagem ao Céu", de Mo...