Pular para o conteúdo principal

Dispensados de pedir desculpas


Ruy Castro - Folha de S.Paulo
Em seis meses como ministro da Cultura do governo de Michel Temer, Marcelo Calero foi hostilizado, agredido e chamado de golpista em vários eventos relacionados à sua pasta. Em todos, Calero foi calado por manifestantes e precisou ser protegido na saída. No Rio, nas imediações do Palácio Capanema, ocupado por ativistas, teve o carro oficial cercado pela multidão, os vidros socados e tinta vermelha despejada sobre a lataria.
Ironicamente, o homem que, por ser "golpista", sofreu essa violência está agora provocando, com suas denúncias, mais dano ao governo Temer do que todos os grupos que gritam "Fora Temer" pelo país. E o curioso é que, ao contrário de Chico Buarque, Sonia Braga, Letícia Sabatella e outros, Calero nunca votou em Temer. Votou em Aécio Neves — o qual, como senador, em vez de apoiar a investigação das denúncias de Calero, retribuiu recomendando que se investigasse o próprio Calero. "O homem mais forte é o que está mais só", já dizia um personagem de Ibsen.
As consequências do gesto de Calero não se limitarão ao episódio em que um político de segunda, habituado a fazer do Estado seu birô de negócios, como Geddel Vieira Lima, viu exposta uma de suas trampolinagens. Pior é o fato de que a mutreta parecia tão natural aos olhos de Temer — e isto num momento em que o Congresso manobra para se anistiar preventivamente face à delação premiada da Odebrecht.
Daí Temer, de repente, colocar-se de forma tão imperial contra a anistia ao caixa dois. Não fosse o tumor Geddel, teria continuado "neutro", a favor da tramoia de seus pares.
Os que hostilizaram Marcelo Calero ficam dispensados de lhe pedir desculpas. Mas poderiam refletir que, assim como um governo "ilegítimo" pode comportar um homem honesto, nada impede que um legítimo seja apinhado de pilantras
http://www.blogdomagno.com.br/?pagina=3

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Mapa das facções em presídios brasileiros

'Fi-lo porque qui-lo': aprenda gramática com frase histórica de Jânio Quadros

FI-LO PORQUE QUI-LO                       Vamos lembrar um pouco de história, política e gramática?                     O ex-presidente Jânio Quadros gostava de usar palavras difíceis, construções eruditas, para manter sua imagem de pessoa culta. Diz o folclore político que, ao ser indagado sobre os motivos de sua renúncia, em 1961, teria dito: "Fi-lo porque qui-lo".                     Traduzindo para uma linguagem mais acessível, mais moderna, ele quis dizer "fiz isso porque quis isso", ou, simplificando, "fiz porque quis".                     Esse "LO" nada mais é que o pronome oblíquo "O", que ga...

DIA DO MÉDICO VETERINÁRIO

9 de setembro – Dia do Médico Veterinário: a importância de se reconhecer esse profissional Foi  em 09 de setembro de 1933 que o presidente  do Brasil, Getúlio Vargas, assinou o Decreto Lei nº 23.133, que regulariza a profissão e o ensino da medicina veterinária no país. Em reconhecimento, o Dia do Veterinário passou a ser comemorado nessa data. A Medicina Veterinária é a ciência que se dedica à prevenção, controle, erradicação e tratamento de doenças, traumatismos ou qualquer outro agravo à saúde dos animais, além do controle da sanidade dos produtos e subprodutos de origem animal para o consumo humano. A medicina veterinária também busca assegurar a qualidade, quantidade e a segurança dos estoques de alimento de origem animal através do controle da saúde dos animais e dos processos que visam obter seus produtos (tais como carne, ovos, leite, couro, etc.), assim como sua distribuição, venda e preparo. As áreas em que o médico veterinário pode atuar são diversas, como Sa...