Pular para o conteúdo principal

Geddel saiu para preservar Temer; Janot de olho

Por ora, informação é que não haveria razão para investigar presidente

Blog do Kennedy
A queda do ministro Geddel Vieira Lima da Secretaria de Governo é uma forma de tentar preservar o presidente Michel Temer, que se desgastou politicamente. Agora, Temer depende do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, autoridade que pode pedir investigação sobre o presidente.  Por ora, as informações dão conta de que não haveria razão para investigar Temer.
A tentativa da oposição de levar adiante um pedido de impeachment deve fracassar, porque Temer tem sólida base de apoio e a solidariedade do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ). Um pedido de impeachment para tramitar depende de avaliação prévia de Maia.
A demissão de Geddel também é uma maneira de tentar impedir a contaminação da agenda de reformas do governo no Congresso. Na próxima semana, o governo precisa aprovar a PEC do Teto em primeiro turno no Senado para poder encaminhar uma reforma da Previdência logo em seguida. A permanência de Geddel criaria uma paralisia na articulação política.
Na terça-feira, Temer o aconselhou a deixar o cargo. Geddel tentou resistir, buscando apoio de políticos e ministros, mas o depoimento do ex-ministro da Cultura Marcelo Calero à Polícia Federal foi a gota d’água e o deixou sem condição de permanecer como articulador político do governo.

O presidente foi levado para o centro de um assunto que não lhe pertencia. Geddel misturou público com privado e transformou uma questão de interesse pessoal em prioridade do Palácio do Planalto, mobilizando o ministro da Casa Civil e o presidente da República. A carta de demissão é uma tentativa de reparar os danos enormes que causou a Temer e ao governo.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Mapa das facções em presídios brasileiros

'Fi-lo porque qui-lo': aprenda gramática com frase histórica de Jânio Quadros

FI-LO PORQUE QUI-LO                       Vamos lembrar um pouco de história, política e gramática?                     O ex-presidente Jânio Quadros gostava de usar palavras difíceis, construções eruditas, para manter sua imagem de pessoa culta. Diz o folclore político que, ao ser indagado sobre os motivos de sua renúncia, em 1961, teria dito: "Fi-lo porque qui-lo".                     Traduzindo para uma linguagem mais acessível, mais moderna, ele quis dizer "fiz isso porque quis isso", ou, simplificando, "fiz porque quis".                     Esse "LO" nada mais é que o pronome oblíquo "O", que ga...

O milagre do Natal de 2017

Vinicius Torres Freire – Folha de S.Paulo "84 SERÁ igual ou pior que 83", dizia a manchete desta  Folha  no Natal de 1983, baseada em pesquisa com empresários. O Brasil vivia o pior triênio de recessão do século. Em 1983, a economia encolheu 2,9%. No entanto, em 1984, cresceria 5,4%. Um grande erro feliz de previsão. Pode acontecer em 2017? Hoje, dia de festa, vamos mudar um pouco de assunto. Vamos falar mais do espírito dos Natais de crises passadas. "Henry Ford confia num próximo melhoramento da situação econômica" era a primeira notícia da "Folha da Manhã" do Natal de 1931, outro fim de triênio triste da economia. Ford errou. A economia americana melhoraria apenas uma década depois, na Segunda Guerra. "Várias opiniões favoráveis à Constituinte" era a manchete política. O Brasil vivia sob o governo provisório da Revolução de 30. Golpe? Divertida mesmo era a publicação de mais um capítulo inédito de "Viagem ao Céu", de Mo...