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A insatisfação dos excluídos


Carlos Chagas
De repente, acordaram as centrais sindicais, os sindicatos, as corporações e demais entidades que se imaginava adormecidos. O povo foi para a rua. Impossível desconsiderar o que aconteceu no país inteiro, quarta-feira. Trabalhadores e desempregados deram sinal de estarem vivos nas manifestações verificadas nas capitais dos estados e principais cidades, protestando contra as reformas da Previdência Social e trabalhista. Poucos entreveros, a maioria dos protestos verificou-se em clima de ordem, nem por isso menos assustador.
A partir de agora, depois de razoável interregno, o ator principal está de novo no palco, insurgindo-se contra o modelo das reformas elitistas. Não faltaram, sequer, os veementes protestos contra Michel Temer, uma espécie de representante maior da insatisfação popular.
Assistimos um ensaio geral da peça que em 2018 será encenada com toda pompa e circunstância pela sucessão presidencial. Daqui por diante, mais se farão ouvir os protestos do Brasil Real frente à ação das forças empenhadas em dar marcha-a-ré no processo político-institucional. Não foi por acaso que as manifestações coincidiram com a condenação da banda podre do conservadorismo, no caso, a revelação dos agentes da lista do Procurador Geral.
Adianta muito pouco minimizar a voz das ruas novamente entoada para quem quiser ouvir. Não parece fora de propósito imaginar que nas próximas vezes em que o povo se manifestar, subirá a temperatura. A insatisfação dos excluídos poderá chegar a limites perigosos, mas explicáveis.
Em suma, erguem-se obstáculos aos retrocessos programados pelo neoliberalismo.
A CONTA-GOTAS
Melhor seria que o ministro Fachin abrisse logo o sigilo das acusações ao mundo político, revelando quantos deputados, senadores, ministros e ex-ministros, governadores e demais espécimes do bloco da corrupção, bem como suas praticas delituosas. A revelação a conta-gotas só faz aumentar as agruras da classe política.
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