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Banho eleitoral condenável


Li, ontem, que o ex-presidente Lula está tão entusiasmado com a viagem programada para o próximo domingo a Monteiro (PB), para inaugurar, extraoficialmente, a chegada das águas da Transposição à Paraíba, que pode tomar banho no canal transbordante. Se isso ocorrer, por excesso de euforia, estará dando um péssimo exemplo.
Há pouco, imagens de um grupo de sertanejos tomando banho no canal em Sertânia geraram protestos e indignação. As águas transpostas do Velho Chico chegam para matar a sede de 12 milhões de nordestinos, segundo estimativa do Ministério da Integração, e não para amenizar o calor brutal ou servir de lazer para quem quer que seja.
Além de poluir, o banho é proibido. Ao longo dos canais, o Governo instalou placas de advertência sobre o risco de afogamento. Às margens do trecho da Transposição em Monteiro, Lula fará um ato político, avocando para si a paternidade do projeto. Ao seu lado estará a ex-presidente Dilma e três governadores do Nordeste – Ceará, Piauí e o anfitrião Paraíba.
Está prevista, ainda, uma carreata pelas principais ruas da cidade paraibana para que Lula possa gravar cenas que, provavelmente, serão exibidas pelo PT no horário da propaganda eleitoral. Delegações de várias cidades próximas estão sendo organizadas pelos sindicatos atrelados ao PT para bater palmas para o ex-presidente e carimbá-lo como o pai da Transposição.
Mesmo com quatro processos da Lava Jato nos ombros, já na condição de réu, Lula usa a estratégia eleitoral própria do futebol, de que a melhor defesa é o ataque. Mais do que isso, apresenta-se como vítima para o grande público e eleitorado cativo, perseguido pela mídia. O ex-presidente usou, recentemente, o depoimento da 10ª Vara Federal em Brasília como palanque, num teatro deplorável. Monteiro não será diferente.
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