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Mensagens: Cunha atuava como representante da OAS


Deputado exigia dinheiro da empreiteira quando era líder do PMDB na Câmara
De O Globo - Vinícius Sassine
O deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) defendia os interesses da construtora OAS na Câmara, especialmente nos anos em que exerceu a liderança de seu partido na Casa, em 2013 e 2014. Nesse período, Cunha foi também um parlamentar de muitos pedidos de dinheiro à empreiteira, principalmente para campanhas eleitorais. O relatório da Polícia Federal com todas as mensagens de celular trocadas entre o atual presidente da Câmara e Léo Pinheiro, então presidente da OAS, mostra que nove medidas provisórias (MPs) foram negociadas diretamente nas conversas entre os dois ou mencionadas pelo grupo do empreiteiro. Executivos da OAS buscavam aprovar emendas em MPs que beneficiassem os interesses da construtora. Em algumas dessas emendas, Cunha teve participação direta.
O deputado foi acionado para tratar de extensa pauta no Congresso de interesse de Léo Pinheiro, como consta numa anotação encontrada nos celulares do empreiteiro. A pauta, em fevereiro de 2013, mês em que Cunha virou líder do PMDB, tinha 13 itens, entre eles negócios relacionados a debêntures (títulos de dívidas de empresa); duas medidas provisórias; assuntos de interesse do prefeito do Rio, Eduardo Paes (PMDB); uma tratativa sobre o município de Itaboraí, no Estado do Rio; e negócios com fundos de investimentos.
Ao mesmo tempo em que representava os interesses da OAS, Cunha fazia seus pedidos. Em 2013, ele chegou a pedir para Léo Pinheiro “mudar algum voto” na bancada do PMDB no contexto da eleição do líder do partido. “Se puder mudar algum voto”, escreveu o deputado em mensagem de 2 de fevereiro de 2013. “Se precisar me aciona”, respondeu o empreiteiro. “Obg abs”, agradeceu o parlamentar. Cunha foi eleito no dia seguinte, com 46 votos. Seu adversário, o deputado Sandro Mabel, teve 32 votos. “Parabéns. Vitória de um guerreiro competente. Abs”, elogiou Pinheiro ao parabenizar o novo líder do PMDB na Câmara.

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