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Pior não fica? Fica...

Carlos Chagas
Espontânea não terá sido a manifestação, no meio do povo, de um bando de agitadores na Avenida Paulista, sexta-feira, contra o aumento no preço das passagens de ônibus. Nem no centro do Rio, na mesma hora. Nas duas cidades, a Polícia Militar entrou e exagerou, mas teve razão, pois os meliantes apresentaram-se paramentados, com máscaras, mochilas e petardos variados, depredando ônibus e intranquilizando quem estava na rua.
Uma semana depois do ano começar, reinaugura-se a temporada da baderna, com óbvios riscos para a paz pública, aliás, em clima de guerra. Feridos, alguns, presos outros, logo depois postos em liberdade. 2016 chegou mostrando como vai desenrolar-se. Aumentos para todo lado, sem que o governo demonstre a menor intenção de segurar os preços. Pelo contrário, tudo permanece subindo. Combustíveis, água, luz, telefones, gás, impostos, taxas, serviços, educação e saúde públicas tem seus custos subindo rotineiramente, ao tempo em que os salários, se crescem, é muito menos.
A previsão parece pela continuidade dos protestos, com presença cada vez maior de manifestantes nas ruas, situação que apenas multiplicará a intranquilidade.  Recente entrevista de Madame e de alguns de seus ministros serviu como baldes de água fria nas expectativas de mudanças em prol do crescimento econômico e da normalidade institucional. Pelo contrário, acirram-se os ânimos.
A pergunta que se faz é se chegaremos a dezembro debaixo de um sufoco ainda maior, com o desemprego crescendo paralelo ao custo de vida e a perspectiva de nada mudar em 2017 e 2018. A resposta só faz elevar a apreensão e o inconformismo. Não dá para levar mais três anos assim.


Por isso, será inevitável, no mínimo, o desgaste dos detentores do poder, melhor dizendo, do PT e penduricalhos, junto com o desembarque do PMDB e afins. Não haverá como evitar a antecipação do processo sucessório, isso se não sobrevierem inusitados. Os candidatos tidos como ortodoxos, tipo Aécio Neves, Geraldo Alckmin, José Serra, Michel Temer e sucedâneos, mais o Lula, Marina Silva, Ciro Gomes e outros, pouco ou nada apresentam de novo. Pior não fica? Fica sim...

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