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“Começamos a sair do fundo do poço”, diz novo presidente da Câmara dos Deputados

Rodrigo Maia (DEM-RJ) - Foto  Fabio Rodrigues PozzebomAgência Brasil
Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/ Agência Brasil
Em entrevista concedida à Rádio Jornal, na manhã desta segunda-feira (18), o novo presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), defendeu a equipe econômica do presidente interino, Michel Temer (PMDB), e disse que o Brasil “começa a dar os primeiros passos para sair do fundo do poço”.
“Com a escolha da equipe econômica de Michel Temer, o Brasil começa a dar os primeiros passos e isso nos dá impressão que começamos a sair do fundo do poço. Por enquanto estamos com uma boa sinalização, mas precisamos aprovar pautas importantes na Câmara”, ressaltou.
Quando questionado sobre  medidas impopulares que podem ser adotadas por Michel Temer, Rodrigo Maia disse que o “que se tem de mais antipático” é o aumento do desemprego, o aumento da violência e o descrédito do Brasil no exterior. Ele disse que o mais importante é aprovar medidas e solucionar os problemas do País.
“Medidas necessárias de superação da crise, se bem comunicadas, podem ter já o apoio da sociedade. Porque a crise é tão profunda que passou a ter problemas em muitos Estados, inclusive de atraso de pagamento de servidor”, defendeu.
Entretanto, o presidente concorda que não adianta aumentar os impostos para melhorar a situação econômica do Brasil. “O brasileiro não tem condição, nem na pessoa física e nem na jurídica, de contribuir mais. Temos que reformar o estado pelo lado da despesa”, disse.
Rodrigo Maia foi eleito na madrugada da quinta-feira (14), com 285 votos, presidente da Câmara dos Deputados. Maia venceu em segundo turno o deputado Rogério Rosso (PSD-DF), que até então era apontado como candidato favorito do Palácio do Planalto. Rosso somou 170 votos. Outros cinco parlamentares votaram em branco.
Sobre sua vitória, Maia disse que não foi uma vitória de Temer, nem de Lula, “foi uma vitória da Câmara”. “A vitória foi daqueles que intenderam que minha candidatura serve para fazermos a antiga política de troca de ideias e meus mandatos têm deixado isso claro, pois tenho sempre buscado diálogo. Precisamos voltar a fazer a política onde o Legislativo faça seu dever constitucional. Então, considero que a vitória foi da Câmara dos Deputados”, disse o presidente.
O novo presidente já deixou claro que que terá como prioridade “arrumar a casa”, criando condições para aprovação da reforma política e de projetos de combate à crise econômica e à corrupção. Ele reconheceu que será preciso, primeiro, “distensionar” e “harmonizar” a relação entre os parlamentares e com outros Poderes, além do Senado.
“O Brasil precisa da sinalização de que haverá um ambiente menos tensionado, onde se possa dialogar com todos e colocar na pauta da Câmara dos Deputados aquelas matérias que vão ao encontro da superação da crise econômica grave que o país vive”, disse.
Durante o encontro estadual do seu partido, DEM, no Rio de Janeiro, ele informou que terão prioridade, entre os projetos para superar a crise, a PEC que limita gastos públicos, o que adota novas regras para exploração do pré-sal e o pacote de dez medidas contra a corrupção. Proposto pelo Ministério Público Federal, o projeto tem 2 milhões de assinaturas.

Mandato tampão

Rodrigo Maia ficará à frente da Câmara até fevereiro de 2017.  Em discurso no Plenário da Casa, o deputado vencedor destacou sua biografia e se disse pronto para assumir o comando. “Ofereço a dimensão da experiência que acumulei em quase 20 anos aqui dentro e a correção pela qual pautei minha vida pública”, pontuou Maia.
Citando a crise econômica que atinge o país e o conturbado momento político por que passa o Congresso, o deputado afirmou que as repúblicas “nunca se consolidam sem a força dos parlamentos”. “Quando a Câmara é atacada ou mal defendida, é a cada um dos nossos mandatos que atacam”, disse Maia. “Sei que estou pronto para navegar nessa tormenta, que passará. A Câmara, o Congresso e o Brasil são maiores que qualquer crise”, finalizou.

Histórico na Casa

Na Câmara, o representante do Democratas votou a favor da admissibilidade do processo de impeachment da presidenta, agora afastada, Dilma Rousseff. O deputado também votou a favor da proposta de emenda à Constituição (PEC) que previa mudar a maioridade penal de 18 para 16 anos em caso de crimes graves. Em 2015, foi presidente e relator da proposta de reforma política. É presidente da Comissão Especial da DRU (Desvinculação das Receitas da União). Atualmente é membro efetivo das Comissões de Finanças e Tributação.

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