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Dilma promete falar


Carlos Brickmann
Dilma Rousseff estava decidida a não decidir, exceto em cima da hora, se iria ou não ao Senado se defender na votação do impeachment. Aparentemente, mudou de ideia. Agora garante que irá ao Senado para se defender contra a perda de mandato. E mais: acha que terá votos suficientes para retornar ao poder. Se não os tiver, será uma queda sensacional. Se tiver, será possível repetir a seu respeito a frase do jornalista James Reston sobre Richard Nixon, eleito presidente depois de ter perdido até a eleição para o Governo da Califórnia: ‘É a maior ressurreição desde Lázaro".
A presidente afastada deve ter informações de que, se não for ao Senado, tomará uma surra ainda maior do que a esperada. Como estamos no 60º aniversário do lançamento de Grande Sertão: Veredas, nada como lembrar uma frase do autor, Guimarães Rosa, embora de outro livro, Sagarana: "O sapo não pula por boniteza, mas porém por precisão". No caso, a precisão do pulo deve ser das mais precisas e necessárias. Um pequeno erro no salto talvez seja perigosíssimo: sabe-se lá onde batráquios desnorteados podem ir parar depois de um pulo mal dado!

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