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JBS: R$ 175 milhões em propina à chapa Dilma-Temer

SAO JOAO DE MERITI, RJ, BRASIL, 24-07-2014, 20h30: A presidente Dilma Roussef participa de encontro de campanha do governador do Rio, Luiz Fernando Pezao, o vice-presidente da republica, Michel Temer, o prefeito do Rio, Eduardo Paes e outras liderancas politicas na churrascaria Oasis, em Sao Joao de Meriti. (Foto: Daniel Marenco/Folhapress, PODER)
Dilma Rousseff e Michel Temer durante evento de campanha no Rio de Janeiro em 2014
Folha de S.Paulo – Rafael Gregório
Diretor de relações institucionais da JBS, Ricardo Saud detalhou, em delação premiada, valores pagos pela empresa para comprar os partidos da chapa Dilma Rousseff-Michel Temer na eleição presidencial de 2014.
Conhecido como "o homem da mala", pelo papel protagonista na articulação das propinas, Saud teria destinado em nome da empresa quase R$ 175 milhões às legendas.
Para se ter ideia, foram cerca de R$ 5,1 bilhões em gastos oficiais e declarados nas eleições de 2014, incluindo os pleitos para a Presidência da República e também para os governos estaduais.
O delator deixa claro que o valor não corresponde ao total pago pela empresa a título de propinas, mas sim a um movimento no início da campanha.
A maior parte, diz, foi paga mediante notas fiscais falsas para simular serviços prestados. "No final, vamos ter citado mais de cem escritórios de advocacia, tudo notas falsas", diz.
Segundo o relato de Saud, "todos os partidos tinham consciência de que isso [os valores repassados] era propina paga pelo PT" em retribuição ao suporte do partido ao grupo de Joesley Batista.
O presidente da República, Michel Temer (PMDB), então candidato a vice-presidente com Dilma, era o maior articulador desses repasses ilegais, diz Saud.
"Com relação à Dilma [Rousseff], não posso afirmar [que ela tinha conhecimento], porque nunca estive com ela, graças a Deus", respondeu o executivo quando perguntado se a ex-presidente petista tinha consciência desses pagamentos.
"Já com Michel Temer", ele completa, "tenho certeza que sabia de todos [os acertos financeiros], porque eu mesmo o comuniquei. Estive com ele muitas vezes, não foram poucas".
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