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Quem vai escapar?


As delações dos tubarões do Frigorífico JBS são avassaladoras para a classe política brasileira. Atingem tanta gente que a impressão que dá é que não escapa ninguém. Mas deixam também a constatação de que PSDB, PT, PMDB e PSB, além de outros partidos, recorreram aos mesmos canais de obtenção de dinheiro sujo para financiar suas campanhas.
Se um dia antes, o PT comemorou a derrocada de Temer, que virou um zumbi no Palácio do Planalto com o vazamento da gravação do empresário Joesley Batista, a liberação dos novos áudios do mesmo delator, ontem, deixou os petistas em polvorosa. O dono da JBS disse que transferiu para contas no exterior US$ 70 milhões destinados ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e mais US$ 80 milhões em conta, também no exterior, em benefício da ex-presidente Dilma Rousseff.
Joesley Batista afirmou ter sido procurado por João Bacelar (PR) para comprar votos contra o impeachment de Dilma. Segundo o empresário, o deputado apresentou uma lista com 30 deputados que poderiam ser "comprados" por R$ 5 milhões cada um. O empresário diz ter "comprado" cinco deputados por R$ 3 milhões cada. Perguntado pelos investigadores, ele diz que não se lembrava dos nomes dos que foram comprados e não tinha a lista.
Na delação, Joesley contou que pagou R$ 30 milhões em propina para eleger Eduardo Cunha (PMDB) na Câmara. Segundo empresário, peemedebista “saiu comprando deputados Brasil a fora”. Na mesma delação, Joesley Batista relata pagamento de R$ 6 milhões em notas frias a José Serra. Em um dos vídeos que integram a delação, Joesley Batista detalha como funcionava a corrupção e como se aproximou de Temer. Ele conta que muitas vezes, a propina era disfarçada de doação política.
Segundo Joesley, a empresa pagou, nos últimos anos, cerca de R$ 400 milhões em propina a políticos. O diretor do frigorífico JBS, Ricardo Saud, afirmou à Procuradoria-Geral da República que pagou R$ 35 milhões em propina a cinco atuais e ex-senadores do PMDB para garantir o apoio de todo o partido à reeleição de Dilma Rousseff nas eleições de 2014.
Joesley Batista também entregou ao Ministério Público Federal gravação na qual Aécio Neves (PSDB-MG) pede a ele R$ 2 milhões para pagar as despesas com advogados que o defendem em processos na Lava Jato. Com base no que os delatores informaram, o ministro Luiz Edson Fachin determinou o afastamento de Aécio do mandato de senador.
No caso específico de Pernambuco, Ricardo Saud, diretor de Relações Institucionais da JBS, revela, em sua delação, que a empresa negociou propina de R$ 15 milhões com Eduardo Campos, Paulo Câmara e Geraldo Julio. “Ficamos muito empolgados com a candidatura do Eduardo Campos. E tivemos com ele em alguns jantares, em conversas, com ele o Paulo Câmara e o Geraldo Júlio. A gente resolveu investir nele”. “Nós pusemos um limite pra ele, pra iniciar, pra ter as coisas e tal. Vamos deixar aqui pra você uns R$ 15 milhões de propina. Se você continuar a crescer, nós vamos te alimentando. Depois a gente acerta quando você ganhar. E isso foi feito” explicou Saud.
ARTICULAÇÃO CONJUNTA– O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, afirma que o presidente Michel Temer e o senador afastado Aécio Neves (PSDB-MG) agiram "em articulação" para impedir o avanço da Lava Jato. A afirmação consta da decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Luiz Edson Fachin, que determinou a abertura de inquérito para investigar Temer, Aécio e o deputado afastado Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR) por corrupção passiva, obstrução à Justiça e organização criminosa. O inquérito está relacionado ao acordo de delação de executivos do frigorífico JBS. A decisão foi divulgada ontem.
Tucanada não debanda– O PSDB não deixará o Governo “a não ser que surjam fatos novos que justifiquem esta atitude”, disse, ontem, o novo presidente do partido, Tasso Jereissati. “Conversamos muito, ontem, com o governo Temer e o que queremos é ouvir os áudios da delação premiada de Joesley Batista, que estão sendo divulgados pelo STF. Nosso papel é de grande responsabilidade e temos que lembrar que o programa econômico do governo é nosso”, lembra o senador cearense, que assumiu o comando tucano com a saída de Aécio Neves. Os tucanos, disse ele, devem discutir esta posição “somente à luz de fatos novos”.
Legalidade – O ministro Luiz Edson Fachin, relator da operação Lava Jato no STF, apontou no despacho de abertura do inquérito que tem entre os investigados o presidente Michel Temer que não existe ilegalidade nos áudios gravados pelo empresário Joesley Batista, do Grupo JBS. O ministro aponta ainda que as conversas gravadas foram “ratificadas e elucidadas” por Joesley em depoimento ao Ministério Público. “Convém registrar, ainda e por pertinência, que a Corte Suprema, no âmbito de Repercussão Geral, deliberou que ‘é lícita a prova consistente em gravação ambiental realizada por um dos interlocutores sem conhecimento do outro”, disse.
NO BOLSO – O presidente Michel Temer teria recebido R$ 15 milhões do Partido dos Trabalhadores para financiar sua campanha à Vice-Presidência, em 2014, mas decidiu "guardar" R$ 1 milhão, segundo afirmou Roberto Saud, diretor da JBS, em depoimento ao Ministério Público Federal. Os detalhes estão em um vídeo de 23 minutos, que faz parte do material divulgado à imprensa, ontem, pelo Supremo Tribunal Federal (STF), e baseia um dos inquéritos que apuram atos ilícitos de políticos.
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