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Exército atento para a gravidade da crise

Coluna Fogo Cruzado – 12 de outubro
Foi-se o tempo, após o golpe de 64, em que fala de general de Exército, qualquer que fosse ela, era manchete dos jornais do dia seguinte. Hoje, felizmente, com a redemocratização do país, os militares estão no seu canto, cumprindo suas funções constitucionais. Mas não significa dizer que não estão atentos à gravidade das crises econômica e política. No início da semana passada, por exemplo, o Exército emitiu comunicado convocando todos os oficiais da Reserva de 2ª classe (tenentes R2) para participarem de uma videoconferência com o comandante da Força terrestre, general Eduardo Villas Bôas. A convocação teve como título “Plano de chamada dos oficiais R/2 do Brasil acionado”. O evento ocorreu no CPOR do Recife, na última sexta-feira, e foi transmitido simultaneamente para Maceió, Salvador, Natal, Rio de Janeiro, São Paulo, Vila Velha (ES), Porto Alegre, Belo Horizonte, Belém, Manaus, Brasília, Goiânia e Palmas.
O comandante do Exército, general Eduardo Villas Bôas, falou sobre a crise política, no Recife, durante evento no CPOR
Recado aos reservistas
Durante sua palestra para os reservistas, o general Villas Bôas disse o seguinte: “Tenham certeza de que estamos monitorando todos os acontecimentos. Estamos vivendo uma crise de natureza ética muito séria. E uma crise política e econômica que, se prosseguir, poderá se transformar numa crise social com efeitos negativos sobre a estabilidade do país. E aí nós nos preocupamos porque, neste contexto, ela passa a nos dizer respeito diretamente”. Hum…
Lição – Ainda do general Villas Bôas: “Nós entendemos que a crise não é de natureza institucional. As instituições estão funcionando perfeitamente. Acho até que o país não estava acostumado a isto. Como exemplo, tivemos a atuação do TSE e do TCU, que cumpriram seu papel de acordo com suas atribuições. A sociedade tem que aprender com seus próprios erros”.
Alívio – O comandante do Exército disse também que os militares estão atentos para três coisas: estabilidade, legalidade (respeito à Constituição) e legitimidade (para agir em casos de crise).
Resposta – “Estou seguro de que somos uma referência para a sociedade. Estamos identificando as aspirações da sociedade para respondê-las”, acrescentou o comandante do Exército.
Elogio – Um oficial da reserva gaúcho questionou o general sobre o fato de um comunista (Aldo Rebelo) ser hoje o ministro da Defesa. Villas Bôas não deu bolas e até elogiou o ministro.
Ética – O ex-governador Roberto Magalhães (foto), que foi aluno do curso de Artilharia do CPOR em 1954, assistiu à palestra do comandante do Exército e recebeu dele vários elogios. “O senhor é de um tempo, doutor Roberto, em que se fazia política com ética”. Os dois se conheceram no Congresso e ficaram de marcar um almoço, no Recife.

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