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Lula, o maestro do saque à Petrobras


O ex-presidente Lula sofreu, ontem, um tremendo revés: o Ministério Público Federal (MPF) o denunciou, junto com a mulher Marisa Letícia, e mais seis pessoas, no âmbito da Operação Lava Jato. O procurador Deltan Dallagnol afirmou que o Ministério Público reuniu provas que indicam que Lula era o "comandante máximo do esquema de corrupção identificado na Lava Jato".
Segundo o procurador, Lula recebeu R$ 3,7 milhões em propinas da OAS, pagas de forma dissimulada, como a compra e reforma de um apartamento tríplex em Guarujá, no litoral de São Paulo, e o armazenamento de bens do ex-presidente. Dallagnol afirmou que há 14 conjuntos de evidência contra o petista, que teria sido o "maior beneficiário do esquema".
O Instituto Lula afirmou que desde janeiro deste ano tornou públicos documentos que "provam que ele não é dono de nenhum apartamento no Guarujá". A denúncia do MPF diz que todo o mega esquema envolve o valor de R$ 6,2 bilhões em propina, gerando à Petrobras um prejuízo estimado em R$ 42 bilhões. Os crimes imputados a ele são corrupção ativa, passiva e lavagem de dinheiro. Caberá à Justiça decidir se os denunciados se tornarão réus.
"O Petrolão era parte de um quadro muito maior", disse Dallagnol, afirmando tratar-se de uma "propinocracia", que seria um governo regido por propinas. Segundo ele, um cartel de empreiteiras conseguia contratos com a Petrobras e pagava valores indevidos a operadores financeiros, funcionários da estatal e políticos. "No centro do núcleo político está o senhor Lula."
Dallagnol afirmou que Mensalão e Lava Jato dependiam de duas máquinas para virar: uma máquina de governo, por causa das nomeações, e uma máquina de partido, que coletava e administrava a propina. "Lula era o elo comum e necessário para as duas máquinas que faziam o esquema rodar. Todas as provas nos levam a crer, acima de qualquer dúvida razoável, que Lula era o maestro desta grande orquestra concatenada para saquear os cofres da Petrobras e de outros órgãos públicos. Era o general que estava no comando da imensa engrenagem desse esquema, que chamamos de propinocracia", disse o procurador.
SÓ COM PROPINA– O procurador afirmou que o Petrolão não estava restrito à Petrobras, mas também envolviam a Eletrobrás, os ministérios do Planejamento e da Saúde, a Caixa Econômica, entre outros órgãos públicos. A Petrobras era a "galinha dos ovos de ouro do esquema", segundo o procurador, pois a estatal chegou a responder por 75% dos investimentos federais em determinado momento. Segundo ele, só era possível obter um cargo alto na Petrobras quem aceitasse participar do esquema e receber propina.

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