Blog do Kennedy
Com habilidade política, o presidente interino, Michel Temer, serenou os ânimos de caciques do PSDB num jantar na quarta à noite no Palácio do Jaburu. No entanto, turbulências deverão ressurgir. A razão é simples.
Os tucanos querem um milagre: fazer um ajuste fiscal que reorganize a economia com um ministro da Fazenda fraco e que não possa ter ambição política de ser candidato a presidente em 2018. Deveriam olhar a história recente do país e do próprio partido para ver que a coisa não funciona assim.
Fernando Henrique Cardoso virou candidato a presidente em 1994 e foi reeleito com facilidade em 1998 depois de ter sido um ministro da Fazenda forte de Itamar Franco e de ter coordenado a equipe que elaborou o Plano Real. Ajuste econômico com ministro da Fazenda fraco não dá certo.
Basta ver outro exemplo: o de Joaquim Levy no governo Dilma. Levy foi dinamitado por Dilma. Deu no que deu. Michel Temer não é ingênuo. Sabe que, aprovado o impeachment, será mais cobrado a mostrar resultados. Se enfraquecer Meirelles, deixando-o como um executor econômico dos articuladores políticos, poderá fracassar.
Não existe ministro da Fazenda fraco que dê certo. Casos de sucesso, como Pedro Malan no governo FHC e Antonio Palocci na administração Lula, mostram isso. A fraqueza de Guido Mantega, que não conseguia dizer não a Dilma, ajudou a jogar o Brasil no abismo fiscal.
Está em curso uma disputa de poder. O governo Temer ainda é interino, mas as forças que o apoiam já pensam na candidatura presidencial em 2018. O PSDB teme que o eventual sucesso do ajuste econômico possa viabilizar uma candidatura de Temer à reeleição ou a de Meirelles.
Se a economia melhorar e o governo tiver popularidade alta no começo de 2018, é óbvio que Temer poderá rever a decisão de não ser candidato, um desejo sincero hoje diante de tantos desafios, ou poderá ter força para fazer o sucessor. Um ministro da Fazenda que tenha sido escolha sua é claramente uma opção política que poderá ser viável.
Meirelles assusta os tucanos, que se esquecem que tem uma Lava Jato no meio do caminho do PSDB e do PMDB também. Não só do PT.
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