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O povão ficará de fora?


As atenções estarão voltadas para  o que parece o último capítulo da novela do impeachment, do dia 25 ao dia 31, se não sobrevierem inusitados. Foram aprovados os detalhes do julgamento final de Dilma Rousseff, com direito ao comparecimento de Madame ao plenário do Senado, para sua derradeira defesa e diálogo com os senadores, dia 29, além de depoimentos de testemunhas e coleta final dos votos, para condená-la.
Tudo milimetricamente definido pelo presidente do Supremo Tribunal Federal, Ricardo Lewandowski.
Uma lacuna, porém, permanece à margem da competência do ilustre magistrado: e o povo?
Tem gente achando que a enfadonha tramitação do processo de afastamento de Dilma exauriu as últimas reservas de paciência do cidadão comum, que por isso  dará de ombros durante os acontecimentos. O operário continuará operando, o banqueiro contando juros, o estudante estudando e o desempregado sofrendo. No máximo, uma parcela da população dividirá seus afazeres com as telinhas de reprodução da TV-Senado.
Prevê-se a concentração de grupos, ainda que não de multidões, diante do palácio do Congresso, uns protestando e outros festejando a saída da presidente, não se sabe se de carro ou de helicóptero. Dificilmente  procissões saudosistas ou  carnavalescas desfilarão na Praça dos Três Poderes durante as prolongadas horas do julgamento. Apesar de  um razoável aparato policial estar programado para zelar pela ordem na capital federal,  não se tem notícia de desordens engendradas pelos sindicatos, partidos, sequer o PT, e sucedâneos.  No Rio, São Paulo e outras  capitais, algumas aglomerações poderão acontecer, mas para o povão, mesmo, ficará à margem, diante de  sequelas e querelas que não  lhe dizem respeito.

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