Pular para o conteúdo principal

“Maior risco é a procura por soluções fáceis”, diz Levy

Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil
Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil
Folhapress – O ministro da Fazenda, Joaquim Levy, afirmou, na manhã desta terça-feira (29) em São Paulo, que o maior risco para o país é a busca por “soluções fáceis” através de mudanças pontuais. Para Levy, o ajuste fiscal traria a queda dos juros e permitiria ao empresariado planejar a longo prazo.
“A gente tem dificuldades, incertezas, mas acho que o maior risco que talvez a gente tenha é a procura de soluções fáceis. É a procura de que a mudança de uma peça aqui e acolá vai resolver tudo, quando há problemas que são objetivos”, afirmou o ministro em evento organizado pelo jornal “O Estado de S. Paulo”.
“Primeiro a gente tem que acertar o fiscal, que é a maior fonte de incertezas para todos. Se eu não sei o que vai acontecer nos impostos, daqui a dez anos, eu vou ter mais dificuldade de querer investir.”
De acordo com o ministro, sem o ajuste a taxa de juros não vai cair e a inflação não será controlada.
“A consequência de a gente acertar o fiscal é muito simples. Na hora em que esse risco é retirado, a economia se relaxa. Todo mundo quer ver a taxa de juros cair. Não há dúvida nenhuma de que enquanto a gente não acertar o fiscal, é muito difícil a taxa de juros cair. Se juntarmos o fiscal com a inflação, também nós vivemos a inflação e sabemos que não há empresa que consiga se planejar direito e realmente ter um incentivo para melhorar a sua produtividade quando se tem as oscilações da inflação.”
CORTE DE GASTOS, ALTA DE IMPOSTOS
Ele completou que o governo tem de cortar gastos, mas que também precisa pensar em ampliar a arrecadação.
“O Brasil não vai acreditar em espuma. Para não desequilibrar o fiscal, temos que pensar em receitas. Assim foi com Inglaterra, Espanha, todos os países que nos últimos anos passaram por dificuldades também recorrem a isso.”
Segundo Levy, as reformas e as mudanças usadas para reduzir gastos demoram para acontecer. “E precisa ter uma fonte segura para chegar do outro lado. Basta ver a evolução dos mercados nas últimas semanas quando houve dúvidas se nós vamos conseguir também ter as receitas necessárias.”
ESTADOS UNIDOS
Segundo Levy, o país ainda deve enfrentar uma “possível turbulência na medida em que a política monetária americana avançar”.

“Eles [Estados Unidos] estão sendo extremamente cautelosos neste avanço porque sabem das consequências. E o governo [brasileiro] tem procurado se preparar para isso.” Levy voltou a dizer que é necessário dividir a estratégia em etapas para enfrentar a crise.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Mapa das facções em presídios brasileiros

'Fi-lo porque qui-lo': aprenda gramática com frase histórica de Jânio Quadros

FI-LO PORQUE QUI-LO                       Vamos lembrar um pouco de história, política e gramática?                     O ex-presidente Jânio Quadros gostava de usar palavras difíceis, construções eruditas, para manter sua imagem de pessoa culta. Diz o folclore político que, ao ser indagado sobre os motivos de sua renúncia, em 1961, teria dito: "Fi-lo porque qui-lo".                     Traduzindo para uma linguagem mais acessível, mais moderna, ele quis dizer "fiz isso porque quis isso", ou, simplificando, "fiz porque quis".                     Esse "LO" nada mais é que o pronome oblíquo "O", que ga...

O milagre do Natal de 2017

Vinicius Torres Freire – Folha de S.Paulo "84 SERÁ igual ou pior que 83", dizia a manchete desta  Folha  no Natal de 1983, baseada em pesquisa com empresários. O Brasil vivia o pior triênio de recessão do século. Em 1983, a economia encolheu 2,9%. No entanto, em 1984, cresceria 5,4%. Um grande erro feliz de previsão. Pode acontecer em 2017? Hoje, dia de festa, vamos mudar um pouco de assunto. Vamos falar mais do espírito dos Natais de crises passadas. "Henry Ford confia num próximo melhoramento da situação econômica" era a primeira notícia da "Folha da Manhã" do Natal de 1931, outro fim de triênio triste da economia. Ford errou. A economia americana melhoraria apenas uma década depois, na Segunda Guerra. "Várias opiniões favoráveis à Constituinte" era a manchete política. O Brasil vivia sob o governo provisório da Revolução de 30. Golpe? Divertida mesmo era a publicação de mais um capítulo inédito de "Viagem ao Céu", de Mo...