Pular para o conteúdo principal

Por oportunismo oposição ameaça a quem tanto apoiou


Ricardo Noblat
Quem lhe parece mais cínico?
Eduardo Cunha, presidente da Câmara dos Deputados, que usa os poderes do cargo para tentar preservar seu mandato depois de acusado de mentir aos seus pares?
Ou a oposição, que ontem anunciou estar disposta a bater à porta do Supremo Tribunal Federal para denunciar Eduardo pelo uso do cargo em seu próprio benefício?
Cravo a segunda opção.
Até concluir que Eduardo lhe passara a perna e que não admitirá a abertura de impeachment contra a presidente Dilma Rousseff, a oposição incensou-o mais do que pôde ou deveria.
Desgastou-se por causa disso. Sem perder a coerência, logo ela que cobra coerência do governo, como a oposição poderia aliar-se a Eduardo, às voltas com dinheiro de origem suspeita?
Ela não pode dizer que o governo é corrupto e que Eduardo não é. Ao pé da letra, governo e Eduardo só poderão ser chamados de corruptos se condenados pela Justiça.
O mesmo oportunismo exibido por Eduardo e que agora se volta contra ele, contaminou a oposição e, agora, se volta contra ela. O povo não é tão bobo como os políticos imaginam.
A mudança de comportamento da oposição derivou da descoberta feita por meio de pesquisas de opinião de que ela estava sendo mal avaliada pelo distinto público. Foi só por isso.
Cabeças coroadas da oposição que lideraram, esta semana, uma passeata de protesto contra Eduardo pelos corredores da Câmara, até outro dia confraternizavam com ele e o apoiavam sem restrição.


Não se cobra de Dilma que confesse seus erros e peça desculpas? Por que não se faz o mesmo com a oposição?

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Mapa das facções em presídios brasileiros

'Fi-lo porque qui-lo': aprenda gramática com frase histórica de Jânio Quadros

FI-LO PORQUE QUI-LO                       Vamos lembrar um pouco de história, política e gramática?                     O ex-presidente Jânio Quadros gostava de usar palavras difíceis, construções eruditas, para manter sua imagem de pessoa culta. Diz o folclore político que, ao ser indagado sobre os motivos de sua renúncia, em 1961, teria dito: "Fi-lo porque qui-lo".                     Traduzindo para uma linguagem mais acessível, mais moderna, ele quis dizer "fiz isso porque quis isso", ou, simplificando, "fiz porque quis".                     Esse "LO" nada mais é que o pronome oblíquo "O", que ga...

O milagre do Natal de 2017

Vinicius Torres Freire – Folha de S.Paulo "84 SERÁ igual ou pior que 83", dizia a manchete desta  Folha  no Natal de 1983, baseada em pesquisa com empresários. O Brasil vivia o pior triênio de recessão do século. Em 1983, a economia encolheu 2,9%. No entanto, em 1984, cresceria 5,4%. Um grande erro feliz de previsão. Pode acontecer em 2017? Hoje, dia de festa, vamos mudar um pouco de assunto. Vamos falar mais do espírito dos Natais de crises passadas. "Henry Ford confia num próximo melhoramento da situação econômica" era a primeira notícia da "Folha da Manhã" do Natal de 1931, outro fim de triênio triste da economia. Ford errou. A economia americana melhoraria apenas uma década depois, na Segunda Guerra. "Várias opiniões favoráveis à Constituinte" era a manchete política. O Brasil vivia sob o governo provisório da Revolução de 30. Golpe? Divertida mesmo era a publicação de mais um capítulo inédito de "Viagem ao Céu", de Mo...