Pular para o conteúdo principal

O vice avança


Bernardo Mello Franco - Folha de S.Paulo
Numa semana que teve tapas, xingamentos e cabeçadas no Congresso, a principal notícia saiu do pacato Palácio do Jaburu. Seu morador ilustre, o peemedebista Michel Temer, reuniu a tropa e passou a avançar ostensivamente em direção à cadeira de Dilma Rousseff.
A máquina começou a andar, resume um aliado do vice-presidente. O alarme do Planalto soou na noite de segunda, com a divulgação da carta em que Temer sugere o rompimento com a companheira de chapa.
O correio elegante foi a senha para duas derrotas do governo na Câmara. O plenário aprovou uma chapa de oposição para a comissão do impeachment, em votação secreta e com os microfones desligados, e o governista Leonardo Picciani foi apeado da liderança do PMDB. Os dois movimentos bruscos levaram as digitais de Temer e Eduardo Cunha, velhos aliados que voltaram a jogar juntos contra Dilma.
Além de acelerar as reuniões políticas, o autor da carta ampliou os encontros com o setor privado. Na segunda, visitou a Fecomércio de São Paulo, onde foi aplaudido de pé ao apresentar o chamado Plano Temer. O novo programa do PMDB prevê, entre outras coisas, o fim dos gastos obrigatórios com saúde e educação, aprovados pela Constituinte do doutor Ulysses.
Na terça, o vice recebeu emissários do mercado imobiliário. Na quinta, como presidente em exercício, repetiu a pregação neoliberal a empresários gaúchos em Porto Alegre. Na sexta, voltou a encontrar o PIB paulista, na inauguração do instituto privado de Gilmar Mendes.


Diante do juiz do Supremo, Temer defendeu a adoção de um "semiparlamentarismo" e acenou com mais poderes e verbas para os parlamentares, que decidirão a batalha do impeachment. Gilmar, o ministro que não consegue disfarçar, saiu entusiasmado. "Temer é um excelente nome para as funções que exerce. Seria um ótimo presidente do Brasil", declarou. 

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Mapa das facções em presídios brasileiros

'Fi-lo porque qui-lo': aprenda gramática com frase histórica de Jânio Quadros

FI-LO PORQUE QUI-LO                       Vamos lembrar um pouco de história, política e gramática?                     O ex-presidente Jânio Quadros gostava de usar palavras difíceis, construções eruditas, para manter sua imagem de pessoa culta. Diz o folclore político que, ao ser indagado sobre os motivos de sua renúncia, em 1961, teria dito: "Fi-lo porque qui-lo".                     Traduzindo para uma linguagem mais acessível, mais moderna, ele quis dizer "fiz isso porque quis isso", ou, simplificando, "fiz porque quis".                     Esse "LO" nada mais é que o pronome oblíquo "O", que ga...

Reincidência faz de Dirceu um mártir do cinismo

Josias de Souza Ao  condenar  José Dirceu a 23 anos e 3 meses de cadeia, nesta quarta-feira (18), o doutor Sérgio Moro transformou em pó a análise de conjuntura que o diretório do PT aprovara horas antes. Na sentença do juiz da Lava Jato, Dirceu não é o “heroi do povo brasileiro” retratado no grito de guerra da militância, mas um criminoso  reincidente . Ainda assim, o documento do PT refere-se à Lava Jato como uma operação “golpista”. “A Operação Lava Jato desempenha papel crucial na escalada golpista”, anotou o PT na sua análise de conjuntura. “Alicerçada sobre justo sentimento anticorrupção do povo brasileiro, configurou-se paulatinamente em instrumento político para a guerra de desgaste contra dirigentes e governantes petistas, atuando de forma cada vez mais seletiva quanto a seus alvos, além de marcada por violações ao Estado Democrático de Direito.” Preso em Curitiba desde agosto de 2015, Dirceu foi sentenciado por ter recebido pixulecos que somam R$ 15 milh...