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Esperando Janot



Bernardo Mello Franco - Folha de S.Paulo
O plenário da Câmara estava praticamente vazio, às 9h20 desta quinta, quando Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE) pediu a palavra para um discurso de improviso.
"A Câmara não pode mais conviver com episódios como o de ontem, sobretudo no Conselho de Ética. O que ocorreu foi uma verdadeira excrescência, uma imoralidade, uma indecência, um escárnio", disse.
O peemedebista se referia à manobra que afastou o relator Fausto Pinato (PRB-SP) no dia em que o Conselho votaria a abertura de processo contra o presidente da Câmara. Pinato já havia relatado uma ameaça de morte após divulgar seu parecer.
"Não podemos ficar calados diante disso. A nação inteira quer a saída do deputado Eduardo Cunha, porque se ele não reúne condições para presidir esta Casa e muito menos de conduzir um eventual episódio de impeachment", prosseguiu Jarbas.
"Ele fez e faz chantagem. Chantageou a oposição. Chantageou o PT. Chantageou a presidente da República", afirmou o deputado.
Jarbas não pode ser acusado de governismo. Dissidente no PMDB, apoiou o tucano Aécio Neves em 2014 e é um dos maiores defensores do impeachment de Dilma Rousseff.
O peemedebista terminou o discurso às 9h23. Em menos de 40 minutos, o Conselho de Ética voltaria a produzir cenas vexatórias. Dois deputados trocaram tapas, um a favor e outro contra o presidente da Câmara.
Os ânimos se exaltaram porque a tropa de Cunha havia iniciado outra manobra para blindá-lo. Um dia depois da derrubada do relator, o deputado Carlos Marun (PMDB-MS) pediu o afastamento do presidente do conselho, José Carlos Araújo (PSD-BA).


Denunciado por corrupção há quase quatro meses, Cunha já demonstrou que é capaz de tudo para obstruir o processo no Conselho de Ética. Só será parado se o procurador Rodrigo Janot pedir a intervenção do Supremo Tribunal Federal. "Até agora a PGR não se pronuncia sobre esse escárnio", cobrou Jarbas. 

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