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O medo das ruas


Valdo Cruz - Folha de S.Paulo
O Palácio do Planalto respira aliviado. Os protestos deste domingo não jogaram mais lenha na fogueira do impeachment, o que ajuda a conter o ânimo daquela turma que está a um passo de abandonar o barco em tempos revoltos.
A equipe dilmista já trabalhava com um cenário de manifestações fracas, mas temia que elas empolgassem um pouco mais, indicando tendência crescente das manifestações contra Dilma pela frente.
Resultado, o governo petista ganha tempo para enfrentar seu momento mais delicado nestes 13 anos de poder. Sua situação é de paciente na UTI, com seus herdeiros e inimigos já discutindo abertamente o que fazer no dia seguinte.
Depois da sua carta-desabafo, o vice Michel Temer deu o aviso público aos navegantes. Há uma expectativa de poder logo ali, à disposição daqueles que estão cansados do governo e querem mudar.
Daí que, a partir de agora, qualquer erro, vento contra ou fato imponderável podem servir como o empurrão final, aquele que pode desligar os aparelhos e promover a troca de guarda no Palácio do Planalto.
O vento contra e forte neste momento viria das ruas. Não veio. Com as férias de janeiro chegando, protestos devem ganhar força, se ganharem, apenas depois do Carnaval.
Erros este governo é pródigo em cometer. Agora mesmo promete retaliar aqueles que o traem. Nada mais correto. Só que a decisão pode ter vindo um pouco tarde. A turma está naquela fase de avaliar se vale a pena ter cargo nesta administração.
Quanto ao imponderável, a Operação Lava Jato tem na sua prateleira uma série de delações premiadas, prontas para revelar novidades que podem servir de combustível para um processo de impeachment no Congresso. Algumas já feitas.


Enfim, tudo somado, é uma grande ironia ver o PT, partido que nasceu das ruas, ter medo delas e comemorar discretamente que o povo tenha ficado mais dentro de casa. 

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