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Indignação com a roubalheira


Um dos comentaristas do programa Frente a Frente, ancorado por este blogueiro pela Rede Nordeste de Rádio, o publicitário José Nivaldo Júnior, da Makplan, dizia, ontem, numa roda de amigos, que a louvação e importância que alguns setores da sociedade dão a povo nas ruas, a propósito das manifestações de ontem pelo impeachment, em todo o País, são coisas que se reportam ao século XIX.
“Os códigos do terceiro milênios são outros”, arrematou o polêmico, atualizado e crítico marqueteiro. Na verdade, José Nivaldo está se referindo à ebulição provocada em todos os segmentos da sociedade pela internet, as redes sociais e o mundo globalizado. Numa sociedade online, as instituições funcionam, como estão relativamente cumprindo seus papeis, sem necessariamente a voz rouca das ruas.
Mas, independentemente disso, é digno de comemoração à volta do povo às ruas. Mesmo sem o devido tempo para organizar, mobilizando as pessoas apenas pelas redes sociais, os movimentos defensores do impeachment de Dilma colocaram caras pintadas nas ruas em todo o País.
Poderia ter uma amplitude maior? Pouco importa. Os que saíram de casa para pedir o fora Dilma, a cassação de Eduardo Cunha e uma limpeza em geral no Congresso não dependeram de máquina pública, não ganharam lanches nem refrigerantes bancados pelo poder ou organizações infiltradas. Estavam ali pelo inconformismo e pelo sentimento de indignação.
Indignação contra o maior assalto aos cofres públicos da história republicana patrocinado pelo PT com a chegada de Lula ao poder. Nunca se roubou tanto neste País! Os delatores fazem acordo para reduzir suas penas com a garantia de devolver 100 milhões de dólares. De boca cheia, falam em 100 milhões de dólares como se tratassem de dois contos de réis.
A dinheirama que a quadrilha do PT instalou no poder desviou R$ 42 bilhões da Petrobras, fala-se em R$ 25 bilhões dos fundos de pensões e R$ 60 bilhões do BNDES. O desgoverno fechou suas contas com um déficit de R$ 150 bilhões, aprovado, pasmem, pelo Congresso, sem que a presidente fosse enquadrada na Lei de Responsabilidade Fiscal.
Só na semana passada, o País assistiu, impactado, a mais três escândalos: R$ 200 milhões desviados de apenas um trecho da Transposição, entre Sertânia (PE) e Monteiro (PB); um sobrepreço bilionário nas obras da refinaria de Abreu e Lima e a prisão, por roubo, através de licitações desviadas, de dois lobistas da Hemobrás, além da demissão dos diretores Rômulo Maciel e Mozart Sales.
Enquanto Dilma diz que não rouba, mas deixa roubar, três milhões de brasileiros, coitados, passaram a ficar inadimplentes com os seus seguros de saúde, sem assistência médica. Se morrerem, depositem a culpa na brutal recessão que Dilma jogou no nosso colo. No mercado de trabalho, 1,5 milhão de trabalhadores com carteira assinada perderam seus empregos, enquanto mais sete milhões na informalidade foram jogados pela janela.
Este é o legado do PT, de Lula e Dilma, que alguns, certamente movidos por outros interesses não republicanos, ainda têm coragem de defender. É triste ouvir argumentos na linha de que todos roubaram no passado, o PT também pode roubar. Pode não! O PSDB e tantos outros que se locupletaram do poder pagaram o preço, que foi a derrota para a oposição.
O PT, que o povo tanto confiou, na condição de maior partido de oposição, não poderia ter seguido a cartilha do PSDB e outros partidos que governaram o País. Ao contrário, jogou, infelizmente, a ética no lixo. Governou com os mesmos que diziam ser assaltantes, como Sarney, Collor, Jader Barbalho, Roberto Jeferson, Jucá e tantos outros.
Tinha que dar no que deu!
SEM COMEMORAÇÃO – Os protestos de ontem, apesar de menores que outros convocados meses atrás e, também em 2013, podem ganhar musculatura no pior momento para a presidente Dilma: se o processo ganhar terreno e for levado à votação em plenário. Para isso, o andamento do impeachment ainda precisa avançar no Congresso Nacional e superar o atual movimento de judicialização ao qual está sendo submetido no Supremo Tribunal Federal (STF).

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